Por: Jorge Eduardo Magalhães
– Oi. Já cheguei. Estou aqui no bar te esperando. Depois quero te levar àquele motel que falei. Finalmente vamos nos encontrar. Na semana passada você desmarcou porque tua filha estava doente, na retrasada porque choveu no teu bairro.
– Estou aqui no hospital com minha tia. Ela se sentiu mal. Vou me atrasar um pouco.
– Ela está bem?
– Foi só um mal-estar. Transfere o dinheiro para eu pedir um carro pelo aplicativo.
– Mas eu já te transferi o dinheiro para o carro na semana passada e na retrasada que você desmarcou.
– Mas eu precisei do dinheiro.
– Está bem.
***
– Você vem ou não vem.
– Não sabe o que aconteceu. Minha tia faleceu na emergência. Terei que desmarcar novamente.
– Poxa! Meus sentimentos.
– Preciso da tua ajuda.
– Diz.
– Faz uma transferência para eu pagar o sepultamento?
– Olha. Já te ajudei bastante.
– Você não vai me ajudar?
– Isso já é demais.
– Eu estou aqui desesperada.
– Você é capaz de inventar a morte de uma tia para me arrancar dinheiro?
– Se não me ajudar, não precisa mais me procurar Adeus!
– Não. Por favor!
– Vai me dar o dinheiro ou não?
– Vamos nos encontrar na semana que vem?
– Depende de você.
– De quanto você precisa?
Adquiram meu livro UMA JANELA PARA EUCLIDES
editorapatua.com.br/uma-janela-para-euclides-dramaturgia-de-jorge-eduardo-magalhaes/p
“O pior cego é aquele que não quer ver” kkkkk
É., no fim.sempre cede.