Angola Enfrenta Surtos Graves de Cólera com Apoio da OMS

Desde o início de 2025, Angola tem enfrentado surtos graves de cólera, com 8.543 casos e 329 mortes registrados até 23 de março. A doença se espalhou rapidamente para 16 das 21 províncias angolanas, com a maioria das notificações em pessoas com menos de 20 anos de idade.
Esforços Conjuntos para Contenção e Prevenção
Autoridades angolanas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) uniram forças para combater o surto. Essa parceria inclui reuniões em comunidades afetadas, participação da sociedade civil e campanhas de saúde pública na mídia, visando orientar sobre prevenção e tratamento.
No município de Caluquembe, na província de Huíla, a colaboração com a OMS está auxiliando na construção de infraestrutura, com mais latrinas e pontos de água potável. Mariana Soma, administradora em Caluquembe, destacou os desafios: “O desafio é muito grande. Aqui na vila, é mais fácil encontrarmos famílias que têm latrina e fazem uso das latrinas. Porque há aqueles que as têm, mas não fazem uso correto das mesmas latrinas. Estivemos a ver ao nível da área rural, poucas são as famílias que têm latrina e usam. Então é mesmo desafiante é um processo que precisamos reforçar, de passar a informação para ver se diminui esta questão da defecação ao ar livre.”
Equipes da OMS e de Angola visitaram diversas aldeias para aumentar o fluxo de informação sobre a prevenção da cólera. Especialistas ofereceram treinamento sobre a construção de privadas com material local e a redução da defecação a céu aberto, buscando evitar a fonte de contaminação.
Muitos angolanos em Huíla têm acesso limitado à água potável. No Centro de Tratamento do Cólera em Caluquembe, pacientes como José Coelho e Judite Júlio José expressaram gratidão pelos cuidados recebidos. Joaquim Ismael, diretor do Centro de Saúde do município, ressaltou o papel crucial da higiene na prevenção da cólera: “A cólera é uma doença que atua por falta de higiene. Quando não temos higiene, nós temos casos. Quando não tomamos água potável, então estamos a ter casos.”
Na vila de Makua, alguns moradores revelaram que o consumo de água vem diretamente do rio, usado também para lavar roupas, e que grande parte da população não utiliza latrinas. Membros da missão da OMS e parceiros angolanos lembraram que as novas infraestruturas de água e saneamento básico, construídas com participação comunitária, visam reduzir a transmissão da cólera em áreas de risco. Além de diagnósticos mais rápidos, a comunidade também está participando de uma campanha de vacinação contra a doença.
Preocupações e Dados do Surto
Uma das principais preocupações do Ministério da Saúde de Angola é o movimento de pessoas nas fronteiras, a estação de chuvas e o maior risco de contaminação.
Somente em fevereiro, a taxa de novas infecções ultrapassou 1 mil casos por semana. Na semana de 23 de março, esse número aumentou 20%, chegando a 1,2 mil casos a cada sete dias. A maior parte das notificações de cólera provém de duas províncias: a capital Luanda, com 48,5% dos novos casos, e Bengo, com 29,1%.
O período de incubação da cólera pode variar de 48 horas a cinco dias após o consumo de água ou alimentos contaminados.
Com informações de ONU News
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: © Unicef/Carlos César
