ANP cobra Petrobras por oferta de diesel e gasolina no Brasil

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis determinou nesta quinta-feira (19) que a Petrobras seja notificada para ofertar imediatamente os volumes de diesel e gasolina A referentes aos leilões de março que haviam sido suspensos.

A estatal também deverá apresentar informações detalhadas sobre importações previstas, preços, datas de chegada de cargas, nomes de navios e volumes disponíveis, com o objetivo de aumentar a previsibilidade do mercado de combustíveis no Brasil.

Suspensão de leilões e impacto no abastecimento

A decisão ocorre após a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmar que a suspensão dos leilões foi necessária para reavaliar os estoques diante da instabilidade no mercado internacional de petróleo.

Segundo a executiva, o cenário de incerteza está diretamente ligado ao conflito no Oriente Médio, que tem provocado volatilidade nos preços dos combustíveis.

“Adiantamos entre 10% e 15% das entregas, mas as condições não permitiam continuar sem risco para a sociedade”, explicou.

Apesar disso, a ANP informou que, até o momento, não há risco imediato de desabastecimento no país.

ANP intensifica monitoramento de combustíveis

A agência declarou estado de sobreaviso no abastecimento nacional. Com isso, produtores, distribuidores e importadores deverão enviar dados frequentes sobre estoques e movimentações de:

  • gasolina A;
  • óleo diesel A S10;
  • óleo diesel A S500.

A medida permite um monitoramento mais rigoroso da cadeia de suprimento e a adoção de ações preventivas.

Empresas notificadas pela ANP

A determinação atinge diversos agentes do setor, incluindo:

  • Produtores: Petrobras, Refinaria de Manaus e Refinaria de Mataripe;
  • Distribuidoras: Vibra, Ipiranga e Raízen;
  • Importadores e distribuidoras relevantes do mercado nacional.

Flexibilização de estoques até abril

A ANP também autorizou a flexibilização temporária das regras de estoque mínimo de combustíveis em todo o território nacional até 30 de abril.

Com isso, empresas poderão comercializar produtos sem a obrigatoriedade de manter volumes mínimos, aumentando a fluidez no abastecimento.

Fiscalização contra preços abusivos

Outra medida anunciada foi o reforço na fiscalização contra práticas abusivas. A ANP notificará empresas com base na legislação vigente, incluindo a Lei nº 9.847/1999 e a Medida Provisória nº 1.340/2026.

A agência alertou que poderá haver responsabilização em casos de:

  • recusa injustificada de fornecimento;
  • aumento abusivo de preços;
  • práticas que prejudiquem o abastecimento.

Além disso, uma nota técnica será encaminhada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica para avaliação do cenário.

Com informações de Ag. Brasil 

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Divulgação / Petrobras 

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