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A Comissão informou que a “em função da necessidade de preservar a integridade do ambiente de TI foi necessário desconectar a rede do Instituto do ambiente externo. Foto: Ipen/ Cnen

Ataque cibernético trava produção de remédios contra o câncer

Um ataque cibernético na última sexta-feira (28/3) suspendeu a produção de diversos radiofármacos (medicamentos para o diagnóstico e tratamento contra o câncer) no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).  Segundo a CNEN, “o incidente cibernético resultou em tentativas de ataques em série à rede do Instituto”.

Enquanto equipes de TI tentam encontrar as causas para reestabelecimento das operações, estão paralisadas a produção e o fornecimento dos seguintes radiofármacos previstos para esta semana tiveram que ser suspensos:  Iodo-131; Lutécio-177; Tálio-201; Guan-IPEN-131 (MIBG); gerador de tecnécio-99m e Citrato de gálio-67.

“A segurança física, a radiológica e a nuclear não foram afetadas”, informou a CNEN. A Comissão informou que a “em função da necessidade de preservar a integridade do ambiente de TI foi necessário desconectar a rede do Instituto do ambiente externo, incluindo os acessos via Internet, até que todas as ações preventivas necessários sejam implementadas”.

“Olho do furacão”

O IPEN é um dos mais importantes institutos de pesquisa da América do Sul, prestes a completar 70 anos. No governo do ex-presidente Bolsonaro, esteve no “olho do furacão”, diante do lobby no Congresso tentando passar a produção de radiofármacos para a iniciativa privada. Os radioisótopos possibilitam que os médicos vejam o funcionamento de órgãos e tecidos vivos por meio de imagens como as tomografias, radiografias e cintilografias.

O IPEN produz uma parte dos radioisótopos, mas gastava cerca de R$ 60 milhões (de acordo com a alta do dólar) importando o produto da África do Sul, Rússia, Holanda e Argentina. O Brasil importava 4% da produção mundial do radioisótopo molibdênio-99. O decaimento radioativo do molibdênio-99 produz o radioisótopo tecnécio-99m utilizado nos radiofármacos mais empregado na medicina nuclear.

Até 2021, o IPEN gastava US$ 15 milhões por ano com essa importação, que gerava um faturamento de R$ 120 milhões, ano, recursos que seguiram direto para o caixa do governo. O que dará soberania ao país na produção é a entrada em operação do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), idealizado em 2009, que somente agora está saindo do papel.

O RMB vai abastecer o IPEN e poderá exportar a sua produção. Cerca de dois milhões de procedimentos médicos são realizados, por ano, utilizando radioisótopos, em 440 clínicas cadastradas para realizar o trabalho semanalmente. Cerca de 440 mil pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o restante pela rede privada.

Privatização

Por não ter o RMB, o Brasil precisa importar os insumos fabricados no IPEN. Enquanto isso, no ano de 2021, crescia o lobby para a privatização da produção, que cairia nas mãos da iniciativa privada nacional e internacional, elevando os preços do tratamento.

Em dezembro de 2021, avançou a discussão sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC- 517), na Câmara dos Deputados, propondo a flexibilização do monopólio da União na fabricação de radiofármacos. A PEC do senador Álvaro Dias (Podemos-PR) deu muita dor de cabeça, foi adiante, mas parece que caiu no esquecimento. Segundo fontes do setor, a iniciativa privada não conseguiu se preparar para acabar com o empreendimento público.

Em agosto de 2022, por falta de verbas para a importação dos radioisótopos, o tratamento de milhares de pacientes foi interrompido gerando uma crise sem precedentes. Com a liberação dos recursos, o abastecimento se normalizou. Mas veio à tona com força o lobby para a quebra do monopólio da produção dos medicamentos. Foram relevantes as críticas à privatização da produção dos radioisótopos.  Em artigo para o blog da Jornalista Tania Malheiros, publicado em 16/12/21, o deputado Alexandre Padilha (PT/SP), escreveu: “Além da área da saúde, a proposta dá uma facada no projeto do reator multipropósito, que garante soberania de produção do insumo para que o Brasil não precise mais importar”.

 

Com reprodução do blog Jornalista Tania Malheiros

Wagner Sales – Editor de conteúdo

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