Brasil Ativará Lei de Reciprocidade Contra Taxas de Trump

O Brasil se prepara para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica em resposta à decisão do presidente norte-americano Donald Trump de elevar as tarifas aduaneiras sobre produtos brasileiros. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, a regulamentação da lei por decreto deve ser publicada até a próxima terça-feira (15/07).
Reação Brasileira e Apelo à OMC
Alckmin afirmou que o governo trabalhará para reverter a taxação, que considera “inadequada” e “não se justifica”, além de planejar recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Ele fez a declaração após a inauguração de um viaduto em Francisco Morato, São Paulo, neste domingo (13/07).
A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, permite a suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que afetem a competitividade brasileira.
O presidente Lula já havia se manifestado, em entrevistas, sobre a intenção de levar o caso à OMC. “A gente pode cobrar coerência dos Estados Unidos em relação à aplicação de taxas sobre os produtos de outros países. Podemos, com a OMC, encontrar países que foram taxados pelos Estados Unidos e, juntos, entrar com recursos”, declarou Lula. Ele acrescentou que, se todas as tentativas falharem, o Brasil acionará a Lei de Reciprocidade e buscará novos parceiros comerciais, enfatizando que o comércio com os EUA representa apenas 1,7% do PIB brasileiro.
Impacto da Tarifa e Integração Produtiva
Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados, a partir de 1º de agosto, em uma carta enviada ao presidente Lula.
Alckmin destacou a integração econômica entre os dois países. “O Brasil é o terceiro maior comprador do carvão siderúrgico dos Estados Unidos. Faz o aço semiplano e vende para os Estados Unidos, que faz o aço plano, faz o motor, faz o automóvel. Então, há uma integração produtiva. Nós temos 200 anos de amizade com os Estados Unidos”, ressaltou o vice-presidente. Ele concluiu afirmando que o “mundo econômico precisa de estabilidade e de previsibilidade”, e que o Brasil trabalhará para reverter a medida.
Com informações de agência Gov.
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
