Brasil e Angola discutem parceria para investimento agrícola

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu, nesta terça-feira (10), em Brasília, uma delegação do governo de Angola para discutir a criação do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. A iniciativa busca fortalecer a cooperação bilateral e impulsionar o desenvolvimento do setor agrícola angolano.

A reunião marcou o início de uma série de encontros técnicos que ocorrerão entre os dias 10 e 12 de março, voltados à construção de um modelo de cooperação que envolva investimentos privados, transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimento técnico brasileiro.

O encontro foi conduzido pelo secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, que destacou a transformação da agropecuária brasileira nas últimas décadas e o potencial de cooperação entre os dois países.

“O Brasil passou de importador líquido de alimentos a uma potência exportadora global. Avanços científicos, como a correção de solos, a adaptação de cultivares e o melhoramento genético de animais, além de políticas públicas como o Plano Safra e o zoneamento agrícola de risco climático, permitiram elevar a produtividade e a sustentabilidade da produção”, afirmou.

Segundo Billi, a experiência brasileira pode contribuir para o desenvolvimento agrícola de Angola, especialmente diante de desafios como acesso ao crédito, garantias financeiras e segurança jurídica para investimentos.

Cooperação agrícola e interesse de produtores

O assessor especial do Mapa, Carlos Ernesto Augustin, ressaltou que as afinidades históricas, culturais e linguísticas entre Brasil e Angola, além das semelhanças climáticas e agroecológicas, favorecem a implementação de projetos produtivos no país africano.

De acordo com ele, mais de 20 produtores rurais brasileiros já manifestaram interesse em investir em atividades agrícolas em território angolano.

Representando o governo de Angola, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Custódio Vieira Lopes, destacou que a parceria pode contribuir para modernizar o setor agrícola do país.

“A cooperação com o Brasil abre oportunidades para transferência de tecnologia, capacitação de recursos humanos, desenvolvimento das cadeias produtivas e atração de investimentos. Isso pode ampliar a produção agrícola, gerar empregos no campo e fortalecer a segurança alimentar em Angola”, afirmou.

Integração comercial e tecnológica

Pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), o secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, destacou que o programa poderá ampliar o fluxo de investimentos, bens, serviços e tecnologia entre os dois países.

Segundo ele, as semelhanças entre o Cerrado brasileiro e a savana angolana podem facilitar a adaptação de tecnologias agrícolas desenvolvidas por centros de pesquisa brasileiros ao longo das últimas décadas.

Proposta de investimento agrícola

Durante a reunião, as delegações analisaram os principais pontos da proposta brasileira para o programa de cooperação. A iniciativa prevê:

  • disponibilização de áreas agricultáveis em Angola
  • criação de marcos regulatórios para garantir segurança jurídica aos investimentos
  • linhas de crédito para produtores
  • transferência de tecnologia agrícola
  • adoção de sistemas sustentáveis de produção

Entre os compromissos previstos para produtores brasileiros interessados em participar do programa estão o apoio ao desenvolvimento agrícola das comunidades locais, a oferta de assistência técnica, parcerias com escolas técnicas para capacitação profissional e a implantação de agrovilas com infraestrutura básica.

O modelo também prevê a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e a destinação de parte da produção para o abastecimento do mercado interno angolano.

Entre as condições consideradas estratégicas para o projeto estão a disponibilização inicial de 20 mil hectares para produção de grãos, garantias para operações de financiamento, participação de instituições financeiras locais e autorização para uso de sementes com biotecnologia.

As delegações do Brasil e de Angola continuarão as discussões técnicas nos próximos dias para avançar na definição do marco institucional e operacional do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola.

Com informações de Ag. Gov 

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Ag. Gov

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