A expressão “bucho cheio” carrega em si uma história pesada, uma memória que remete a um passado sombrio e doloroso. Durante a época da escravidão, essa frase não era apenas uma referência ao estado de saciedade; era um lembrete cruel da obrigação imposta aos escravos que trabalhavam nas minas de ouro. Para eles, encher o “bucho” era sinônimo de sobrevivência, e a luta diária nas profundezas da terra se tornava uma questão de vida ou morte.
Por um instante, aqueles homens e mulheres, sob a luz fraca das tochas, escavando incessantemente nas minas, com a esperança de que suas mãos calejadas e seu esforço exaustivo resultassem em um punhado de ouro. A cada dia, eles enfrentavam o desafio de preencher um buraco na parede da mina, uma tarefa que se transformava em um ciclo cruel de expectativa e desespero.
Para cada grama de ouro extraído, uma promessa de alimento; mas, para aqueles que fracassavam, a cruel realidade de uma “meia tigela” de comida os aguardava, um símbolo da miséria que lhes era imposta.O “bucho cheio” se tornava, assim, uma metáfora não apenas para a saciedade física, mas para a luta por dignidade e respeito. Para muitos, a possibilidade de encher o bucho era um pequeno alívio em um dia repleto de trabalho árduo e sofrimento. A comida, embora escassa e muitas vezes insatisfatória, representava a luta por uma existência, por um pouco de humanidade em um mundo que os tratava como mercadorias.
Com o passar do tempo, essa expressão se transformou, tornou-se muito comum em nossos dias e ainda persiste. Hoje, quando ouvirmos falar em “bucho cheio”, somos convidados a refletir sobre o peso dessa herança maldita em nossa história. É um chamado para lembrar das vidas que foram sacrificadas em busca de um futuro melhor, para honrar a memória de todos aqueles que, sob condições desumanas, lutaram por suas necessidades básicas.
Ainda vivemos em um mundo onde a desigualdade persiste, e essa expressão pode nos lembrar que, para muitos, o “bucho cheio” é um privilégio ainda distante. A luta pela justiça social, pela igualdade de oportunidades e pelo respeito à dignidade humana continua. A expressão “bucho cheio”, que possamos lembrar que ela carrega consigo uma história de resistência e sofrimento. Precisamos ter empatia por aqueles que ainda lutam para encher seus buchos todos os dias, e que essa lembrança nos inspire a construir um mundo mais justo, onde todos tenham direito a uma vida digna e plena.
Denilson Costa