Comissão reconhece perseguição a Reinaldo e aprova indenização

A Comissão de Anistia, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), reafirmou seu compromisso com a memória, a verdade e a justiça durante a 10ª Sessão de Turma realizada nesta terça-feira (2). Entre os casos analisados, destacou-se o do ex-jogador do Atlético Mineiro, José Reinaldo Lima, cuja trajetória foi marcada por resistência democrática durante a ditadura civil-miliar (1964-1985).

Em seu relato encaminhado à Comissão, Reinaldo afirmou ter sido monitorado pelo Sistema Nacional de Informações (SNI) e perseguido no ambiente esportivo por suas posições políticas. Ele lembrou que a repressão do regime utilizava não apenas violência física, mas também campanhas de difamação capazes de destruir reputações e carreiras.

Famoso por comemorar gols com o punho cerrado — gesto associado ao movimento dos Panteras Negras —, Reinaldo também se posicionou publicamente pela redemocratização. Segundo ele, esse posicionamento desencadeou uma ampla campanha de difamação com graves impactos em sua vida profissional e pessoal.

O voto sobre o caso foi lido pela conselheira Rita Maria de Miranda Sipahi, representante dos Anistiados e Anistiadas, e aprovado por unanimidade. Além de ser reconhecido como anistiado político, Reinaldo receberá indenização única de R$ 100 mil, conforme decisão da presidente do Conselho, Ana Maria Lima de Oliveira.

A Sessão de Turma analisou 20 pedidos de anistia, e outros 32 processos serão avaliados na Sessão Plenária marcada para o mesmo dia. Durante o encontro, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou a importância do esporte como espaço de resistência democrática e combate ao racismo. Ela também reforçou o papel fundamental da Comissão de Anistia na preservação da memória e na política de justiça de transição do país.

Criada pela Lei nº 10.559/2002, a Comissão de Anistia é responsável por analisar pedidos de anistia referentes a perseguições políticas ocorridas entre 1946 e 1988, incluindo o período da ditadura militar.

Com informações de Agência Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Clarice Castro / MDHC

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