Copom Eleva Selic para 15% e Analisa Pausa em Alta de Juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 15,00% ao ano. A decisão, divulgada nesta terça-feira (17/06), visa assegurar a convergência da inflação para a meta em um cenário de expectativas desancoradas e pressões no mercado de trabalho.
Cenário Externo Adverso e Incerto
O Copom destacou que o ambiente externo permanece adverso e particularmente incerto, influenciado pela conjuntura e política econômica nos Estados Unidos, especialmente suas políticas comercial e fiscal e seus respectivos efeitos. O comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados, impactando as condições financeiras globais. Esse cenário exige cautela por parte de países emergentes, em um ambiente de acirramento da tensão geopolítica.
Dinâmica Econômica Doméstica e Pressões Inflacionárias
No cenário doméstico, os indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda mostram algum dinamismo, mas com uma certa moderação no crescimento. As divulgações mais recentes indicaram que a inflação cheia e as medidas subjacentes permaneceram acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026, apuradas pela pesquisa Focus, estão acima da meta, em 5,2% e 4,5%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para 2026, horizonte relevante da política monetária, situa-se em 3,6% no cenário de referência.
Riscos Inflacionários e Próximos Passos da Política Monetária
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta, destacam-se:
- Desancoragem prolongada das expectativas de inflação.
- Maior resiliência na inflação de serviços, devido a um hiato do produto mais positivo.
- Conjunção de políticas econômicas (externa e interna) com impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Já entre os riscos de baixa, ressaltam-se:
- Desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada que o projetado.
- Desaceleração global mais pronunciada, decorrente de choque de comércio e maior incerteza.
- Redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê mantém-se vigilante sobre como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário atual é marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência econômica e pressões no mercado de trabalho. Para garantir a convergência da inflação à meta em um ambiente de expectativas desancoradas, o Copom entende que é necessária uma política monetária significativamente contracionista por um período prolongado.
O Copom antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros caso o cenário esperado se confirme, para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado. Posteriormente, avaliará se o nível atual da taxa de juros, mantido por um período prolongado, será suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatizou que permanecerá vigilante, ajustará os passos futuros da política monetária conforme necessário e não hesitará em prosseguir com o ajuste, se julgar apropriado.
Votaram pela decisão os membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Com informações de assessoria (BC)
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto:
