Copom mantém Selic em 15% e sinaliza corte de juros em março

Apesar do recuo da inflação e da valorização do real frente ao dólar, o Banco Central (BC) decidiu manter a Taxa Selic em 15% ao ano. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por não alterar os juros básicos da economia, decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro.
Esta foi a quinta reunião consecutiva em que o colegiado mantém a Selic no mesmo patamar. A taxa permanece no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom indicou que poderá iniciar a redução dos juros na próxima reunião, em março, desde que a inflação siga sob controle e não haja deterioração do cenário econômico.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.
A decisão ocorreu com o Copom desfalcado, após o fim do mandato, no encerramento de 2025, dos diretores Renato Gomes, de Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, de Política Econômica. As indicações dos substitutos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ser encaminhadas apenas após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.
Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, a Selic voltou a subir em setembro de 2024, chegando a 15% ao ano na reunião de junho, nível que vem sendo mantido desde então.
Inflação sob controle
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA fechou em 4,26%, o menor resultado anual desde 2018, ficando dentro do teto da meta contínua de inflação.
Pelo novo regime, em vigor desde janeiro, a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Nesse modelo, a meta é avaliada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses, com o período de apuração se deslocando ao longo do tempo, e não mais restrito ao índice fechado de dezembro.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro, o BC reduziu para 3,5% a projeção do IPCA para 2026, estimativa que poderá ser revista em razão do comportamento recente do dólar e dos preços. A próxima edição do relatório será publicada no fim de março.
As projeções do mercado são menos otimistas. Segundo o boletim Focus, a inflação deve encerrar 2026 em 4%, levemente acima do teto da meta. Há um mês, a estimativa era de 4,05%.
Impactos sobre crédito e crescimento
Juros elevados ajudam a conter a inflação ao encarecer o crédito e desestimular o consumo e a produção. Em contrapartida, dificultam o crescimento econômico. No último relatório, o Banco Central elevou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento do PIB em 2026.
O mercado projeta um desempenho um pouco melhor. De acordo com o boletim Focus, os analistas estimam crescimento de 1,8% da economia no próximo ano.
A Selic é a taxa de referência das negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia e influencia todas as demais taxas de juros da economia. Enquanto a elevação dos juros ajuda a controlar a inflação, cortes só devem ocorrer quando a autoridade monetária estiver segura de que os preços seguem sob controle.
Com informações de Agência Brasil
Wagner Sales – editor de conteúdo
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