Coração de porco recheado


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Seus olhos marejavam, ao folhear o álbum de fotos da cerimônia do casamento homoafetivo de seu único filho, há um ano. Nas fotos, aparecia sorridente ao lado do casal vestido com terno branco. Recordava-se, que durante as fotos, forçava o sorriso e não saía de sua mente a certeza de que nunca teria netos; mas precisava se mostrar alegre, pois era militante progressista, muita admirada por seus discentes e no mundo acadêmico, de uma forma geral.
Serviu-se com uma dose de uísque, colocou duas pedras de gelo. Olhando-se no espelho, sentiu-se arrependida daquelas enormes tatuagens nos braços e no pescoço. Teve vontade de tingir os cabelos; contudo, não podia, pois sempre fomentou a iniciativa de assumir os cabelos completamente brancos.
Sabia que estava acima do peso, necessitava emagrecer, mas logo abandonou a ideia, pois era uma constante fomentadora da liberdade corporal e na luta contra a gordofobia. Aliás, embora fizesse uma campanha a favor do veganismo, tinha o hábito de comer carnes e seus derivados na madrugada. Já estava quase pronto o coração de porco recheado, no forno, que, em breve devoraria.
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