CPI: gestor aponta “donos ocultos” por trás do Banco Master

O gestor de fundos Vladimir Timerman afirmou, nesta quarta-feira (18), à CPI do Crime Organizado que existem “outros nomes” por trás do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, no escândalo que levou à liquidação da instituição.

Segundo Timerman, Vorcaro seria apenas um intermediário, sem controle efetivo das operações. O depoente citou o empresário Nelson Tanure como possível figura central no esquema, sugerindo a existência de uma estrutura de comando oculta.

Durante o depoimento, o gestor também criticou a atuação de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários, a Polícia Federal e o Banco Central do Brasil, apontando demora na investigação das fraudes. Ele afirmou ter apresentado denúncias desde 2019.

As apurações da Polícia Federal resultaram nas operações Operação Compliance Zero e Operação Carbono Oculto, que investigam irregularidades financeiras relacionadas ao caso.

Timerman relatou ainda ter sofrido retaliações após as denúncias, incluindo mais de 30 ações judiciais e ameaças de morte.

Sobre o funcionamento do esquema, o gestor explicou que haveria manipulação de balanços com inflação artificial de ativos, gerando lucros fictícios e atraindo novos investimentos. Ele citou operações envolvendo a Gafisa S.A. e ativos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina como exemplos de práticas semelhantes.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, destacou a complexidade do esquema e o impacto sobre investidores, especialmente aqueles com valores acima do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

Já o presidente da comissão, Fabiano Contarato, criticou decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que tornou facultativo o comparecimento de uma testemunha convocada. O ex-servidor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza não compareceu à oitiva.

A CPI investiga a estrutura e os desdobramentos do esquema financeiro, que pode ter afetado milhares de investidores em todo o país, além de impactos indiretos no crédito e no sistema bancário brasileiro.

Com informações de Ag. Senado

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Edilson Rodrigues/Agência Senado

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