CPMI do INSS vê CEO do C6 como investigado por consignados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avalia tratar o CEO do C6 Bank, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, como investigado no caso de supostas irregularidades em empréstimos consignados.

A declaração foi feita pelo relator da comissão, Alfredo Gaspar, após o depoimento do executivo nesta quinta-feira (19), considerado inconclusivo pelos parlamentares.

CPMI investiga irregularidades em crédito consignado

O foco da investigação envolve a suspensão do acordo entre o banco e o Instituto Nacional do Seguro Social, que proibiu novos empréstimos consignados e determinou a devolução de cerca de R$ 300 milhões a aposentados e pensionistas.

Segundo o relator, há indícios de práticas como:

  • cobrança indevida de serviços;
  • venda casada de produtos financeiros;
  • descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

“O C6 não se diferencia de associações que lesaram aposentados”, afirmou Gaspar.

R$ 300 milhões e suspeita de venda casada

De acordo com dados apresentados pela Controladoria-Geral da União, a punição ao banco foi motivada pelo descumprimento de regras de ressarcimento de valores cobrados sem autorização.

Parlamentares apontam que:

  • cerca de 324 mil contratos incluíam cobrança de “clube de benefícios”;
  • os descontos chegavam a R$ 500 por cliente;
  • aposentados eram incluídos sem consentimento claro.

Banco nega irregularidades

Durante o depoimento, o CEO do C6 negou qualquer prática ilegal e afirmou que os produtos oferecidos eram opcionais.

Segundo ele:

  • não houve venda casada;
  • os serviços foram contratados com autorização dos clientes;
  • o banco já recorreu da decisão do INSS na Justiça.

“Não há irregularidade na atuação do banco”, declarou.

Falhas em contratos e dados sob investigação

Auditoria da CGU apontou inconsistências relevantes:

  • 135 mil contratos com problemas documentais (2021–2023);
  • quase 3 milhões de operações com falhas biométricas (2023–2025).

Parlamentares questionam se os empréstimos foram realmente autorizados pelos beneficiários.

Atuação de correspondentes bancários

O executivo explicou que cerca de 90% das operações do banco são feitas por correspondentes bancários, que atuam na oferta de crédito consignado.

Ele afirmou que:

  • mais de 2,9 mil agentes atuam para o banco;
  • todos passam por treinamento obrigatório;
  • não têm acesso direto a dados do INSS ou da Dataprev.

Mesmo assim, parlamentares levantaram suspeitas sobre possível vazamento de dados de beneficiários.

Pressão por ressarcimento

O relator questionou se o banco pretende devolver os valores cobrados, independentemente de decisão judicial.

A resposta foi negativa.

“Não nos parece correto devolver valores contratados legalmente”, afirmou o executivo.

CPMI amplia investigação

A comissão também discute possíveis conexões com outras investigações e cobrou esclarecimentos sobre contatos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Além disso, parlamentares defendem a convocação de autoridades do governo para aprofundar as apurações sobre fraudes no crédito consignado.

Com informações de Ag. Senado

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Edilson Rodrigues/Agência Senado

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