Cúpula BRICS 2025 no Rio: Sul Global por Governança Inclusiva

A 66ª Cúpula do BRICS, que acontece neste domingo (6/7) e segunda-feira (7/7) no Rio de Janeiro, consolida o lema da presidência brasileira em 2025: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”. O evento concentra debates em duas prioridades: a cooperação do Sul Global e as parcerias BRICS para o Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental.
Um Grupo em Expansão e Suas Prioridades
O BRICS, originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se com a recente admissão de Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã (a Indonésia foi mencionada anteriormente como novo membro no texto de Haddad, mas não nesta lista). Este agrupamento representa um dos principais foros de articulação político-diplomática dos países do Sul Global, focado na cooperação em diversas áreas cruciais.
Entre os temas em pauta na Cúpula estão:
- Cooperação em Saúde Global: Incentivar projetos para acesso a medicamentos e vacinas, e lançar a Parceria BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas e Doenças Tropicais Negligenciadas.
- Comércio, Investimentos e Finanças: Debater reformas nos mercados financeiros, uso de moedas locais e plataformas de pagamento para diversificar fluxos comerciais e financeiros. Além disso, avançar na Parceria para a Nova Revolução Industrial e adotar a Estratégia 2030 para a Parceria Econômica do BRICS.
- Mudança Climática: Adotar uma Agenda de Liderança Climática do BRICS, incluindo uma Declaração-Quadro dos Líderes sobre Financiamento Climático para guiar a mudança estrutural no setor financeiro.
- Governança da Inteligência Artificial (IA): Promover uma governança internacional inclusiva e responsável da IA para destravar seu potencial para o desenvolvimento social, econômico e ambiental.
- Arquitetura Multilateral de Paz e Segurança: Promover uma reforma abrangente para atuação eficaz em conflitos, prevenção de catástrofes humanitárias e novas crises, buscando reconstruir a confiança e promover soluções pacíficas.
- Desenvolvimento Institucional: Melhorar a estrutura e a coesão do BRICS.
História e Evolução do BRICS
O acrônimo “Bric” foi cunhado em 2001 por um economista do Goldman Sachs, reconhecendo o dinamismo econômico de Brasil, Rússia, Índia e China. A iniciativa política dos governos desses países transformou o Bric em um foro de cooperação em 2006 (primeira reunião de Ministros das Relações Exteriores) e a primeira Cúpula de Chefes de Estado ocorreu em 2009, na Rússia.
Após a crise financeira de 2008, os quatro países buscaram atuar de forma concertada no G20, FMI e Banco Mundial, propondo reformas na governança econômica e financeira internacional para refletir o crescente peso dos países emergentes. A África do Sul aderiu em 2011, e a segunda expansão, com seis novos membros, foi definida na Cúpula de Joanesburgo em 2023 e efetivada em 2024.
O BRICS opera como um mecanismo informal de coordenação, com presidência rotativa, e atua em três pilares: política e segurança; economia e finanças; e P2P (“people-to-people”), ou sociedade civil.
Membros e Países Parceiros: O BRICS Atual
Atualmente, o BRICS é composto por onze membros: os cinco originais (África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia) e os seis novos admitidos em 2024-25 (Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã, além de uma menção anterior à Indonésia que não está na lista formal deste trecho).
Na Cúpula de Kazan em 2024, foi criada a categoria de país parceiro do BRICS. Os países parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
Sob a presidência brasileira, o Vietnã foi formalmente anunciado como o décimo país parceiro do agrupamento. Com sua população de quase 100 milhões e uma economia dinâmica, o Vietnã é um ator relevante na Ásia e compartilha o compromisso com uma ordem internacional mais inclusiva e representativa, reforçando a convergência com os interesses do BRICS.
Com informações de Agência Gov. / Thays de Araújo / Com Planalto e Brics Brasil
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Fernando frazão / Agência Brasil
