Desemprego atinge 5,6% e iguala menor taxa da história

A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,6% no trimestre encerrado em setembro, repetindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reforça a tendência de estabilidade do mercado de trabalho em patamar de pleno emprego, ao mesmo tempo em que o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu recorde histórico, com R$ 3.507.

O número de pessoas desocupadas chegou a 6 milhões, o menor contingente já registrado, representando queda de 3,3% em relação ao trimestre anterior e de 11,8% na comparação anual. Já a população ocupada permaneceu em 102,4 milhões de pessoas, crescendo 1,4% em um ano, o que representa 1,4 milhão de novos postos de trabalho.

“O mercado de trabalho brasileiro mostra sinais consistentes de maturidade, com aumento real dos salários e estabilidade da ocupação. A redução do desalento e da subutilização da força de trabalho reforça esse cenário positivo”, avaliou Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Subutilização e desalento em queda

A taxa composta de subutilização, que mede o percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas e força de trabalho potencial, recuou para 13,9%, o menor nível desde 2014. Isso significa que cerca de 15,8 milhões de brasileiros estão subutilizados — uma redução de 11,4% em relação ao ano passado.

O número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, caiu para 2,6 milhões, o menor patamar desde 2015. A queda foi de 14,1% em relação ao mesmo período de 2024.

Recorde de empregos formais

O emprego com carteira assinada atingiu 39,2 milhões de pessoas, um novo recorde histórico. O crescimento anual foi de 2,7%, o que significa mais 1 milhão de trabalhadores com registro formal no setor privado. Em contrapartida, o número de empregados sem carteira assinada recuou 4%, somando 13,5 milhões.

No total, o setor privado emprega hoje 52,7 milhões de brasileiros, enquanto o setor público responde por 12,8 milhões de vínculos, alta de 2,4% em um ano. O trabalho por conta própria continua em expansão, com 25,9 milhões de pessoas, crescimento de 4,1% em relação a 2024.

Informalidade ainda alta, mas em queda

Apesar do avanço do emprego formal, a taxa de informalidade permanece elevada — 37,8% da população ocupada (equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores). O índice, no entanto, caiu em relação aos 38,8% registrados no mesmo trimestre do ano passado.

Renda e massa salarial batem recordes

O rendimento médio real de todos os trabalhos chegou a R$ 3.507, o maior da série histórica, com alta de 4,0% em um ano. A massa de rendimento real habitual, que soma os ganhos de todos os trabalhadores, alcançou R$ 354,6 bilhões, outro recorde — 5,5% acima do mesmo período de 2024.

Os maiores aumentos salariais ocorreram nos setores de administração pública (+4,3%), informação e comunicação (+3,9%), construção (+5,5%), agropecuária (+6,5%) e serviços domésticos (+6,2%).

Agricultura e construção puxam alta da ocupação

Na comparação com o trimestre anterior, o IBGE observou crescimento do emprego em dois setores:

  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+3,4%, ou mais 260 mil pessoas);
  • Construção (+3,4%, ou mais 249 mil pessoas).

Por outro lado, houve retração em comércio (-1,4%) e serviços domésticos (-2,9%), enquanto os demais segmentos permaneceram estáveis.

Na comparação anual, destacaram-se transporte e armazenagem (+6,7%) e serviços públicos, saúde e educação (+3,9%).

Panorama geral: emprego firme e renda em alta

Com 108,5 milhões de pessoas na força de trabalho, o mercado segue próximo do pleno emprego técnico. A combinação de baixo desemprego, elevação da renda e queda da informalidade sugere um cenário de fortalecimento da economia interna, impulsionado pelo consumo das famílias e pela política de valorização do salário mínimo.

“Esses resultados indicam um mercado de trabalho mais equilibrado e com qualidade crescente”, concluiu Beringuy.

Resumo dos principais indicadores

IndicadorTrimestre jul-set/2025Variação trimestralVariação anual
Taxa de desocupação5,6%-0,2 p.p.-0,8 p.p.
População desocupada6,0 milhões-3,3%-11,8%
População ocupada102,4 milhõesEstável+1,4%
Rendimento médio realR$ 3.507Estável+4,0%
Massa de rendimento realR$ 354,6 biEstável+5,5%
Taxa de informalidade37,8%Estável-1,0 p.p.
População subutilizada15,8 milhões-4,0%-11,4%

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

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