Elias José e sua relação com o “Buraco do galo”,” As Pastoras” e o “Quilombo urbano Agbara Dudu.

Nossa Cultura Preta cantada e falada por Elias José, Diretor Presidente do Grupo Afro Agbara Dudu que fica em Oswaldo Cruz e um dos precursores do Movimento do Buraco do Galo e do Pagode do Trem, também localizados em Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro e As Pastoras – grupo musical feminino que acompanha as rodas de samba do Buraco do Galo são temas desta quinta feira no talk-show Samba à Vera.

 SAMBA É CULTURA                  

O movimento cultural Samba do Buraco do Galo surgiu com o propósito de possibilitar aos compositores do mundo do samba, muitas vezes sem espaço na indústria fonográfica, interpretar suas obras primas – e digo isso, pois poetas da melhor qualidade eram ou ainda estão  na região de Madureira e Oswaldo Cruz – ter um espaço de reunião e interpretação, onde pudessem registrar cantando suas próprias obras. Para viabilizar essas gravações, cada um pagava uma cota, e foi assim que produziram o primeiro CD, no início dos anos 2000, gravando dentro do boteco Buraco do Galo.

Elias José foi um dos puxadores do movimento do Buraco do Galo, hoje com mais de 20 anos de existência, junto com seu irmão Edinho Oliveira e também é Diretor Presidente do Grupo Afro Agbara Dudu no Quilombo Urbano localizado na Praça Paulo da Portela em Oswaldo Cruz – onde Elias diz que é terra fértil do samba, manancial inesgotável, território-tesouro da cultura brasileira, terra do gigante Candeia e de Paulinho Xuxu, Carlito, Paulo Vizinho, Preto Maneiro, Jorge Presença, Henrique Badá, Edinho Oliveira, Valmir Vignoli e outros bambas desta mina de ouro do samba.

Autodenominam-se “Operários do Samba”, porque “ passamos o pão que o diabo amassou, há algumas gerações, para que o samba ocupe o espaço que hoje detém na sociedade, muito embora, para os operários, as dificuldades permaneçam “- afirma Elias”.

A Denominação – Buraco do Galo

Antes de se tornar o histórico botequim, no local funcionava um aviário, que faliu, ficou um tempo abandonado e depois virou este singular berço do samba carioca de Oswaldo Cruz, frequentado inicialmente apenas por homens compositores e cantores, e por isso as mulheres deram o nome de Buraco do Galo.

Depois a presença das mulheres se fez marcante, principalmente com o surgimento do grupo musical As Pastoras, que é praticamente exclusiva do Buraco do Galo.

Nos anos 90, surgiu o movimento “Acorda Oswaldo Cruz”, articulação social-político-cultural dos moradores que se organizaram para lutar por creche, posto de saúde, linhas de ônibus, rampas de acesso à estação, iluminação pública, entre outras. Deste embrião de luta surgiu o Pagode no Trem, a Roda de Samba Buraco do Galo e outras iniciativas.

O que é um quilombo?

Historicamente falando, era local escondido, geralmente no mato, onde se abrigavam escravos fugidos.

Na verdade, era uma povoação fortificada de escravos negros fugidos da escravidão, dotada de divisões e organização interna (onde também se acoitavam indígenas e eventualmente brancos socialmente desprivilegiados).

O que é um quilombo urbano?

Um quilombo urbano é uma comunidade quilombola localizada em área urbana, que surgiu a partir da resistência à escravidão e se manteve como espaço de preservação da cultura e história negra. Ao contrário dos quilombos rurais, que se estabeleciam em áreas afastadas, os quilombos urbanos surgem em meio a cidades, muitas vezes em áreas periféricas ou de ocupação histórica pela população negra.

Esses espaços, muitas vezes visibilizados, são importantes para a manutenção de tradições, práticas culturais e religiosas afro-brasileiras, além de funcionarem como centros de resistência e luta por direitos. A formação de quilombos urbanos está ligada à história da migração interna e à busca por melhores condições de vida, com a formação indenitárias se entrelaçam com a busca por reconhecimento e inclusão.

Qual a importância de um quilombo nos tempos atuais?

A importância dos quilombos nos dias atuais reside na sua função de manter viva a história e a cultura afro-brasileira, além de serem espaços de resistência e luta por direitos territoriais e sociais. Eles representam um símbolo da luta contra a escravidão e a discriminação racial, e suas comunidades preservam tradições, conhecimentos ancestrais e um modo de vida conectado à natureza.

A resistência e luta pelos direitos territoriais, sociais e contra a escravidão e discriminação pode ser feita mantendo viva a cultura do povo africano e suas contribuições às bases da cultura Brasileira- com aulas de africanidade, exposições, criando espaços alternativos para apresentação de obras literárias, teatrais e musicais que não tem como fazer sua divulgação e exposição nos meios comuns de marketing e divulgação.

Veja a entrevista na  íntegra !

 

Elias José and his relationship with “Buraco do galo”, “As Pastoras” and the “Agbara Dudu urban Quilombo.

Our Black Culture sung and spoken by Elias José, President of the Afro Agbara Dudu Group located in Oswaldo Cruz and one of the precursors of the Buraco do Galo Movement and Pagode do Trem, also located in Oswaldo Cruz, in Rio de Janeiro and As Pastoras – a female musical group that accompanies the samba circles of Buraco do Galo are the themes of this Thursday’s talk show Samba à Vera.

 SAMBA IS CULTURE

The cultural movement Samba do Buraco do Galo emerged with the purpose of enabling composers from the world of samba, often without a place in the music industry, to perform their masterpieces – and I say this because poets of the best quality were or still are in the region of Madureira and Oswaldo Cruz – to have a space for meeting and performing, where they could record themselves singing their own works. To make these recordings possible, each person paid a fee, and that was how they produced the first CD, in the early 2000s, recording inside the Buraco do Galo bar.

Elias José was one of the leaders of the Buraco do Galo movement, which has been in existence for over 20 years, together with his brother Edinho Oliveira, and is also the President of the Afro Agbara Dudu Group in the Quilombo Urbano located in Praça Paulo da Portela in Oswaldo Cruz – which Elias says is a fertile land of samba, an inexhaustible source, a treasure-territory of Brazilian culture, the land of the giant Candeia and Paulinho Xuxu, Carlito, Paulo Vizinho, Preto Maneiro, Jorge Presença, Henrique Badá, Edinho Oliveira, Valmir Vignoli and other greats from this samba gold mine.

They call themselves “Samba Workers” because “we have worked hard for generations to ensure that samba occupies the space it currently holds in society, although the difficulties for the workers remain” – says Elias.

The Name – Hole of the Rooster/ Buraco do Galo

Before becoming the historic bar, the place was home to a poultry farm, which went bankrupt and was abandoned for a while, before becoming this unique cradle of Rio de Janeiro samba by Oswaldo Cruz, initially frequented only by male composers and singers, which is why the women gave it the name Buraco do Galo.

Later, the presence of women became more prominent, especially with the emergence of the musical group As Pastoras, which is practically exclusive to Buraco do Galo.

In the 1990s, the “Acorda Oswaldo Cruz” movement emerged, a social-political-cultural articulation of residents who organized themselves to fight for daycare, a health clinic, bus lines, access ramps to the train station, public lighting, among others. From this embryonic struggle emerged the Pagode no Trem, the Roda de Samba Buraco do Galo and other initiatives.

What is a quilombo?

Historically speaking, it was a hidden place, usually in the woods, where escaped slaves took shelter.

In reality, it was a fortified settlement of black slaves who had escaped from slavery, with divisions and internal organization (where indigenous people and occasionally socially underprivileged whites also took refuge).

What is an urban quilombo?

An urban quilombo is a quilombola community located in an urban area, which emerged from resistance to slavery and remained as a space for the preservation of black culture and history. Unlike rural quilombos, which were established in remote areas, urban quilombos emerge in the middle of cities, often in peripheral areas or areas historically occupied by the black population.

These spaces, often visible, are important for the maintenance of Afro-Brazilian traditions, cultural and religious practices, in addition to functioning as centers of resistance and the fight for rights. The formation of urban quilombos is linked to the history of internal migration and the search for better living conditions, with the formation of identity intertwined with the search for recognition and inclusion.

How important is a quilombo in current times?The importance of quilombos today lies in their role in keeping Afro-Brazilian history and culture alive, as well as being spaces of resistance and struggle for territorial and social rights. They represent a symbol of the fight against slavery and racial discrimination, and their communities preserve traditions, ancestral knowledge and a way of life connected to nature.

The resistance and struggle for territorial and social rights and against slavery and discrimination can be done by keeping alive the culture of the African people and their contributions to the foundations of Brazilian culture – with classes on Africanness, exhibitions, and creating alternative spaces for the presentation of literary, theatrical and musical works that cannot be promoted and exhibited through conventional marketing and publicity channels.

Elias José et sa relation avec « Buraco do Galo », « As Pastoras » et le quilombo urbain « Agbara Dudu ».

Notre culture noire, chantée et racontée par Elias José, président du groupe Afro Agbara Dudu d’Oswaldo Cruz et l’un des précurseurs du mouvement Buraco do Galo, et Pagode do Trem, également situé à Oswaldo Cruz, à Rio de Janeiro, ainsi que par As Pastoras, un groupe musical féminin qui accompagne les cercles de samba de Buraco do Galo, sont les thèmes du talk-show Samba à Vera de ce jeudi.

SAMBA, CULTURE
Le mouvement culturel Samba do Buraco do Galo a vu le jour dans le but de permettre aux compositeurs du monde de la samba, souvent exclus de l’industrie musicale, d’interpréter leurs chefs-d’œuvre – et je dis cela parce que des poètes de la plus haute qualité vivaient ou vivent encore dans la région de Madureira et d’Oswaldo Cruz – et de disposer d’un espace de rencontre et de représentation où ils pouvaient s’enregistrer en train de chanter leurs propres œuvres. Pour rendre ces enregistrements possibles, chacun payait une cotisation, et c’est ainsi qu’ils ont produit le premier CD, au début des années 2000, enregistré au bar Buraco do Galo.

Elias José était l’un des leaders du mouvement Buraco do Galo, qui existe depuis plus de 20 ans, avec son frère Edinho Oliveira. Il est également président du groupe Afro Agbara Dudu du Quilombo Urbano, situé sur la place Paulo da Portela à Oswaldo Cruz. Elias décrit ce qui est une terre fertile pour la samba, une source inépuisable, un véritable trésor de la culture brésilienne, la terre du géant Candeia et de Paulinho Xuxu, Carlito, Paulo Vizinho, Preto Maneiro, Jorge Presença, Henrique Badá, Edinho Oliveira, Valmir Vignoli et d’autres grands noms de cette mine d’or de la samba.
Ils se surnomment « Travailleurs de la samba » car « nous avons travaillé dur pendant des générations pour que la samba occupe la place qu’elle occupe aujourd’hui dans la société, même si les difficultés pour les travailleurs persistent », explique Elias.

Le nom – Trou du coq/Buraco do Galo

Avant de devenir ce bar historique, le lieu abritait un élevage de volailles, qui a fait faillite et a été abandonné pendant un temps, avant de devenir ce berceau unique de la samba de Rio de Janeiro d’Oswaldo Cruz, initialement fréquenté uniquement par des compositeurs et chanteurs masculins, d’où le nom de Buraco do Galo donné par les femmes.
Plus tard, la présence des femmes s’est accrue, notamment avec l’émergence du groupe musical As Pastoras, quasi exclusif à Buraco do Galo.
Dans les années 1990, le mouvement « Acorda Oswaldo Cruz » a émergé, une articulation socio-politico-culturelle de résidents qui se sont organisés pour lutter pour une garderie, un dispensaire, des lignes de bus, des rampes d’accès à la gare, l’éclairage public, entre autres. De cette lutte naissante sont nées la Pagode no Trem, la Roda de Samba Buraco do Galo et d’autres initiatives.

Qu’est-ce qu’un quilombo ?
Historiquement, c’était un lieu caché, généralement dans les bois, où les esclaves en fuite se réfugiaient.
En réalité, il s’agissait d’une colonie fortifiée d’esclaves noirs ayant fui l’esclavage, divisée et organisée en interne (où des autochtones et parfois des Blancs socialement défavorisés se réfugiaient également).

Qu’est-ce qu’un quilombo urbain ?
Un quilombo urbain est une communauté quilombola située en zone urbaine, issue de la résistance à l’esclavage et restée un espace de préservation de la culture et de l’histoire noires. Contrairement aux quilombos ruraux, établis dans des zones reculées, les quilombos urbains émergent au cœur des villes, souvent dans des zones périphériques ou historiquement occupées par la population noire.
Ces espaces, souvent visibles, sont importants pour le maintien des traditions et des pratiques culturelles et religieuses afro-brésiliennes, en plus de servir de centres de résistance et de lutte pour les droits. La formation des quilombos urbains est liée à l’histoire des migrations internes et à la recherche de meilleures conditions de vie, la construction identitaire étant étroitement liée à la quête de reconnaissance et d’inclusion.

Quelle est l’importance d’un quilombo aujourd’hui ?
L’importance des quilombos réside aujourd’hui dans leur rôle de préservation de l’histoire et de la culture afro-brésiliennes, ainsi que dans leur rôle de lieux de résistance et de lutte pour les droits territoriaux et sociaux. Symboles de la lutte contre l’esclavage et la discrimination raciale, les quilombos préservent leurs traditions, leurs savoirs ancestraux et un mode de vie en lien avec la nature.
La résistance et la lutte pour les droits territoriaux et sociaux, ainsi que contre l’esclavage et la discrimination, peuvent se faire en préservant la culture des peuples africains et leurs contributions aux fondements de la culture brésilienne, par des cours sur l’africanité, des expositions et la création d’espaces alternatifs pour la présentation d’œuvres littéraires, théâtrales et musicales qui ne peuvent être promues et exposées par les canaux de marketing et de publicité conventionnels.

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