EUA recuam e retiram acusação de cartel contra Nicolás Maduro

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos recuou e deixou de acusar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de liderar o chamado Cartel de Los Soles. A mudança aparece na nova denúncia por narcotráfico apresentada nesta semana, que substitui a peça original de 2020, elaborada durante o primeiro governo de Donald Trump.

Na denúncia anterior, o termo “Cartel de Los Soles” era citado 33 vezes, e Maduro era apontado como líder da suposta organização criminosa. Já no novo documento, o nome do cartel aparece apenas duas vezes, de forma secundária, sem qualquer menção direta à liderança de Maduro.

Segundo a nova acusação, Maduro — assim como o ex‑presidente Hugo Chávez — estaria inserido em um sistema de corrupção que beneficia elites venezuelanas envolvidas com o tráfico de drogas. O texto afirma que os lucros dessas atividades teriam sido direcionados a funcionários corruptos, ligados a uma rede informal de clientelismo, chamada genericamente de Cartel de Los Soles.

A mudança na linguagem chamou atenção porque, durante o governo Trump, o suposto cartel foi classificado como organização terrorista. À época, a acusação de que Maduro liderava o grupo foi usada para justificar, no discurso oficial, uma possível intervenção na Venezuela.

Especialistas em narcotráfico e segurança internacional vêm rejeitando a ideia de que a Venezuela seja um “narcoestado” ou que exista, de fato, uma organização formal chamada Cartel de Los Soles. O grupo não é citado em relatórios do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONU) nem no Relatório Anual sobre Ameaças de Drogas da DEA de 2025.

Para a consultora sênior da União Europeia em políticas sobre drogas na América Latina e Caribe, Gabriela de Luca, a nova denúncia reconhece a dificuldade de provar a existência de um cartel estruturado. Segundo ela, não há evidências suficientes para caracterizar uma organização criminosa formal, lacuna já apontada por especialistas e até por parceiros de inteligência dos próprios Estados Unidos.

De acordo com a advogada, a mudança fortalece a acusação ao tratar Maduro como parte de um sistema de corrupção e tráfico, focando em condutas individuais comprováveis, como narcotráfico, corrupção e associação criminosa, em vez de sustentar um conceito amplo e juridicamente frágil de “cartel”.

Em depoimento à Justiça dos EUA, Nicolás Maduro declarou ser inocente e afirmou estar na condição de prisioneiro de guerra após ter sido sequestrado por militares norte‑americanos no último sábado (3).

O governo venezuelano acusa Washington de usar denúncias de narcotráfico como pretexto para intervir no país e controlar suas vastas reservas de petróleo. O ex‑presidente Donald Trump tem pressionado o novo governo interino de Delcy Rodríguez, que tomou posse na terça‑feira (6), por acesso aos campos petrolíferos venezuelanos.

Durante reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, afirmou que as maiores reservas de petróleo do mundo não podem permanecer sob controle de países considerados adversários do Hemisfério Ocidental.

Com informações de Agência Brasil 

Wagner Sales – editor de conteúdo

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