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Ursula von der Leyen continua a defender uma 'solução negociada' para impedir uma guerra comercial total entre as margens do Atlântico. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Europa diz que está pronta para negociar ou repelir o projeto de Trump

Bruxelas (BE) – “A União Europeia detém ‘muitas cartas’ em seu jogo para negociar, dissuadir e, se necessário, ‘repelir’ o projeto do ocupante da Casa Branca de impor tarifas recíprocas a todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Neste ‘dia da libertação’, quarta-feira, 2 de abril, Donald Trump deve revelar sua gama de novos impostos sobre as importações de todo o mundo. O presidente americano declarou que suas tarifas teriam como alvo ‘todos os países’ como ponto de partida e que, em seguida, ‘veremos o que acontecerá’.

Aliados de longa data

A guerra comercial lançada pela administração americana contraria aliados de longa data, abala os mercados de ações e lança o espectro da recessão.

Para a União Europeia, as tarifas recíprocas se somarão às tarifas de 25% já impostas à Europa sobre as exportações de aço, alumínio e veículos para os Estados Unidos. A Comissão Europeia apresentou contramedidas para retaliar, mas adiou sua introdução para meados de abril.

A Comissão deve lidar com imperativos que às vezes se chocam: apresentar respostas fortes às medidas americanas, ao mesmo tempo em que lida com os interesses particulares dos Estados membros. Alguns defendem a prudência e temem ser vítimas de uma escalada. É o caso, entre outros, da Itália, que exporta amplamente para os Estados Unidos e cuja presidente do Conselho, Giorgia Meloni, mantém relações de proximidade ideológica com Donald Trump.

Outros inclinam-se mais para uma reação musculosa, como a Bélgica, favorável ao uso de uma ferramenta anti-coerção. Concebida como um instrumento de dissuasão, ela nunca foi utilizada. A França, por sua vez, zela escrupulosamente por seus interesses, principalmente para preservar as exportações de vinhos e bebidas espirituosas. Quanto à Alemanha, cujo superávit comercial com os Estados Unidos exaspera Donald Trump, a formação da coalizão de governo de Friedrich Merz a impede, por enquanto, de se posicionar.

Linha vermelha

Diante da iminência de uma nova série de tarifas mais altas impostas por Trump, a Comissão adverte que sua resposta não terá nenhuma linha vermelha. ‘A Europa não começou esse confronto. Achamos que é um erro’, declarou a Sra. von der Leyen na terça-feira perante o Parlamento Europeu.

‘Temos tudo o que é preciso para proteger nossos cidadãos e nossa prosperidade. Temos o maior mercado único do mundo. Temos a força para negociar. Temos o poder de retaliar. E os cidadãos europeus devem saber: juntos, sempre promoveremos e defenderemos nossos interesses e valores’.

A presidente da Comissão declarou que as tarifas aumentariam os preços para os consumidores comuns, destruiriam empregos, criariam um ‘monstro burocrático’ nas alfândegas e seriam um ‘pesadelo’ para as empresas americanas que vendem seus produtos na Europa. Ela também previu que as tarifas iriam contra o programa de Donald Trump de reindustrializar a América.

Ursula von der Leyen continua a defender uma ‘solução negociada’ para impedir uma guerra comercial total entre as margens do Atlântico, que os analistas esperam que tenha consequências econômicas desastrosas.

‘Abordaremos essas negociações em posição de força. A Europa tem muitas cartas na manga: do comércio à tecnologia, passando pelo tamanho do nosso mercado’, declarou a presidente da Comissão, que garante que Bruxelas não hesitará em tomar ‘contramedidas firmes’.

Os funcionários da Comissão já indicaram que a resposta potencial poderia ir além do tradicional braço de ferro sobre os bens e incluir os serviços, que permaneceram intocados até agora. Em 2023, a UE registrou um superávit de bens com os Estados Unidos no valor de 156,6 bilhões de euros, mas um déficit de serviços no valor de 108,6 bilhões de euros.

‘Todos nós estaríamos em melhor situação se pudéssemos encontrar uma solução construtiva’, declarou a presidente da Comissão em Estrasburgo. ‘Ao mesmo tempo, é preciso ser claro: a Europa não está na origem desse confronto. Não queremos necessariamente tomar medidas de retaliação, mas temos um plano sólido para fazê-lo, se necessário’, acrescentou ela.”

 

Com informações de Euronews

Wagner Sales – Editor de conteúdo

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