Frederico vive: Capítulo 11 – Os quadros

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Natália fingiu ter passado o ódio e o desprezo que nutria pelo marido e começou a simular uma preocupação.

– Querido, nós não podemos ficar assim para sempre, precisamos reagir, volta a trabalhar, a cumprir suas obrigações no escritório.

– Tem razão, meu amor. Vou tentar parar de beber e voltar ao trabalho.

Fizeram amor e Natália, embora com o asco do cheiro de bebida de Valentino, simulou orgasmo e prazer.

Na verdade, queria que o marido ficasse ausente para voltar a pintar seus quadros, tendo Frederico como modelo. Colocava a garrafa com o natimorto em cima de uma mesa no quarto e começava a pintar. Em sua imaginação, via Frederico fazer poses para as diversas telas, sempre atenta ao barulho da porta, pois, assim que ouvia o marido chegar, escondia a garrafa com Frederico.

Valentino, embora impressionado com a temática das telas da esposa, de natimortos em garrafas, preferiu não comentar, pois tinha a impressão de que a esposa, aos poucos, estava se recuperando do trauma. Com o tempo, mudaria de temática nas suas pinturas e tudo voltaria ao normal.

– Farei uma exposição. O que acha?

– Será um sucesso! – dizia Valentino, sem convicção.

Um dia, Natália se distraiu tanto com o novo quadro e com suas conversas com Frederico que nem percebeu o marido chegar. Valentino ficou estático na porta do quarto, observando a garrafa com o natimorto sobre a mesa.

 

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