Frederico vive: Capítulo 13 – Como dois estranhos

Por: Jorge Eduardo Magalhães

A partir daquele fatídico dia, Valentino e Natália passaram a viver como estranhos sob o mesmo teto. Natália ficava o dia inteiro enfurnada no quarto reservado ao filho imaginário, pintando diversas telas com o tema do natimorto na garrafa com formol. Inclusive, colocou um desses quadros na parede, acima do berço de “Frederico”.

Para não se deparar com todo aquele cenário de loucura que rondava seu lar, Valentino passou a chegar cada vez mais tarde. Saía do escritório e parava de bar em bar, chegando completamente embriagado em casa, enquanto Natália estava trancada no quarto de “Frederico”, conversando e ninando o natimorto

Valentino não sabia o que fazer. Ignorando a loucura da esposa, evitaria muitos problemas ou adiaria o aborrecimento e a discussão que uma hora ou outra viria. Afinal, precisava ter uma séria conversa com Natália ou enviá-la, compulsoriamente, a uma ajuda profissional.

Em suas reflexões, até cogitou abandonar Natália. Pegar suas coisas e desaparecer sem falar nada. De repente, sua esposa demoraria alguns dias para se dar conta de sua ausência, tamanha era a sua obsessão por aquele feto conservado em uma garrafa com formol.

Um dia, chegou mais cedo em casa. Tinha bebido um pouco mais. Natália estava no banho, com a porta trancada. Ficou observando o quarto de “Frederico” e a garrafa do natimorto, deitada no berço. Sentiu um ódio daquilo tudo. Precisava dar um fim àquela loucura.

 

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