Frederico vive: Capítulo 21 – O resgate

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Aproveitou-se que Agripina se afastava cada vez mais do local onde morava e se dirigiu ao cortiço, pela entrada da porta dos fundos, com o intuito de resgatar seu querido “Frederico”, sem que ninguém a visse. Finalmente, voltariam a viver juntos. Mãe e filho novamente unidos.
Caminhou discretamente em direção aos fundos do cortiço. Abriu a porta dos fundos bem devagar. O silêncio e o mau cheiro eram intensos. Entrou na ponta dos pés. A porta do quarto de Agripina parecia emperrada, Natália forçou a porta evitando fazer barulho para não chamar atenção e, depois de alguns instantes, conseguiu abri-la.
Tudo estava muito escuro. A umidade e o cheiro nauseabundo eram sufocantes. Ligou a lanterna de seu celular para procurar “Frederico”. O cubículo estava quase impossível de se andar, tamanha a quantidade de bonecas quebradas e outros objetos, acumulados por Agripina. Seria muito difícil encontrar “Frederico” no meio de toda aquela bagunça.
Tentando manter o maior silêncio possível, revirou toda aquela desordem e sujeira que era o cubículo em que Agripina vivia. Não conseguia encontrar “Frederico”. Começava a ficar desesperada, achando que nunca mais veria seu filho. E se Agripina fugisse com o menino? O que seria dela?
Talvez “Frederico” não estivesse ali, naquele momento. De repente, Agripina o levou consigo, afinal, apesar de louca, era uma mãe cuidadosa. Viu um móvel velho, no canto do quarto; a última esperança. Não acreditava no que via: lá estava Frederico, são e salvo. Pegou o frasco com formol e abraçou com muito carinho. Novamente, estavam unidos.
Estava se preparando para sair quando a luz acendeu. Agripina estava parada na porta do quarto. Olharam-se e ficaram em silêncio durante alguns instantes. Agripina perguntou:
– O que você está fazendo aqui, segurando o meu menino?
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