Frederico vive: Capítulo 24 – Desespero

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Hesitou em atender o interfone que insistia tocar. O barulho da sirene se intensificava, parecendo estar cada vez mais perto de seu prédio. Seu coração acelerava. Tinha sensação de que a sua vida estava acabada. Teria que se separar, novamente, de seu “pimpolho”.
Não sabia se atendia primeiro o interfone ou se chegava na janela. Sua respiração começou a ficar ofegante. Não tinha forças para se levantar. Aquele, certamente, era um dos piores e o mais tenso momento de sua vida. Todo o seu destino parecia estar em jogo, naquele instante.
Caso, realmente, fosse presa, negaria tudo, confessar jamais. Contudo, se fossem provados os seus crimes e os motivos pelos quais os praticou, ninguém entenderia o seu amor por “Frederico”. Só ela e seu “menino” podiam compreender toda a conexão, que um tinham com o outro. Seria taxada como louca, incapaz e nunca mais veria o seu “Frederico”. Seria obrigada a bolar um plano de fuga para resgatar o “menino” e fugir para bem longe.
O interfone parou de tocar. O barulho de sirene cessou. Sentiu um alívio momentâneo. Alguns instantes depois, a campainha tocou de forma insistente e percebeu um reflexo de luz de giroscópio no lado de fora. Chegou à conclusão de que uma viatura policial estava parada na porta do prédio para prendê-la e, depois de insistir no interfone e ninguém atender, os policiais subiram direto.
A campainha insistia. Respirou fundo, escondendo “Frederico” em uma gaveta do criado-mudo do quarto.
– Fique aí, quietinho, filhinho. Aconteça o que acontecer, mamãe nunca irá te abandonar.
Mais uma vez respirou fundo e caminhou, bem lentamente, em direção à porta. A campainha continuou tocando.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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