Frederico vive: Capítulo 26 – Outra reportagem de O Matutino

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Ficou uns dois dias sem sair de casa, sem assistir à televisão ou acessar a internet, desligando, inclusive, o seu celular e sequer ligou o seu computador. Durante esse tempo, ficou isolada de tudo e de todos, apenas mimando e conversando com seu adorado “Frederico”.
Acumulando o lixo em seu apartamento, que começou a cheirar mal, Natália foi obrigada a jogá-lo na lixeira, deparando-se com o zelador do prédio, com um jornal nas mãos.
– Boa tarde, dona Natália.
– Boa tarde. – respondeu secamente.
– A bruxa está solta aqui no bairro.
Natália gelou.
– O que houve?
– Primeiro foi o marido da senhora que caiu daqui de cima, e a dona Aurora faleceu hoje pela manhã.
– Descansou.
– Sim. Eu gostava muito dela.
– Eu também. – completou Natália.
– E sabe aquele cortiço, daqui do bairro?
Natália levou um susto.
– O que tem? – perguntou Natália, tentando disfarçar seu temor.
– Aquela louca que catava lixo pelas ruas?…Todo mundo a conhecia.
– Acho que sei quem era.
– Sim, a Agripina. Foi encontrada morta no cubículo que morava no cortiço: morta a pauladas.
O coração de Natália disparou.
– Mas quem fez isso?
– Foi outro catador de lixo, que também morava no cortiço. Ele já confessou o crime.
Sentiu um alívio em seu coração. Olha só o cadáver. Mostrou a matéria de capa do jornal O Matutino em que Agripina estava caída, sem vida, toda ensanguentada, no chão de seu quarto do cortiço. Sentiu uma estranha sensação ao ver aquela foto. Uma confusão de sentimentos.
– O senhor me empresta este jornal?
– Pode ficar com a senhora, tem outro lá na portaria.
Natália agradeceu e se despediu do zelador.
Olhou longamente a foto do cadáver de Agripina.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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