Frederico vive: Capítulo 27 – A foto de Agripina

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Ao olhar a foto do cadáver de Agripina, na primeira página de O Matutino, Natália sentia um misto de asco e fascinação; um sentimento mais forte do que teve com a foto de seu marido, espatifado na calçada de seu prédio. Não conseguia tirar os olhos da foto. Era uma das imagens mais lindas que tinha visto.
Como não sabia a verdadeira motivação em seu inconsciente, recortou a foto e a colocou ao lado da foto do marido, espatifado na calçada. Sua respiração ficou ofegante. Sentia certa excitação ao contemplar as duas fotos lado a lado. Ficou alguns minutos paralisada.
– Não são lindas essas imagens, Frederico?
Teve a impressão de que Frederico meneou, afirmativamente a cabecinha, de uma forma quase imperceptível.
Pensou na perda do marido. Ficou um pouco triste, mas foi necessário que ele fosse eliminado para poder criar seu amado “Frederico” sem nenhuma perturbação, pois, afinal de contas, Valentino nunca entenderia aquela forma de amar tão peculiar. Não teve outro jeito.
Por outro lado, sentia uma ponta de remorso pela morte de Agripina e a prisão do catador de lixo, mas, rapidamente, resignava-se.
– Não tive culpa, ela queria tomar o meu “menino” e foi o próprio catador que confessou o crime. Pelo menos, na prisão não vai lhe faltar comida nem abrigo. Ele estará bem protegido… – justificava-se a si mesma.
A excitação aumentava. Beijava o vidro com formol, freneticamente. Teve a ideia de recortar as duas fotos de O Matutino e colar em um álbum. Não sabia ainda o porquê de seu impulso. Já tinha um outro álbum com as fotos do feto que chamava de “Frederico”, com frases carinhosas, abaixo de cada foto, como, por exemplo, “Hoje eu sorri para a mamãe”.
– Olha o que a mamãe vai fazer! Um outro álbum.
“Frederico” sorriu.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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