Frederico vive: Capítulo 34 – A ferida aberta e o cachorro morto

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Ansiosa para recolher material imagético para sua próxima exposição, Natália conferiu se a câmera do celular estava funcionando, colocou a garrafa com “Frederico” na bolsa, com bastante cuidado e saiu na sua busca sedenta por imagens, de acordo com a temática proposta.
Andou por toda a redondeza verificando todos os cantos.
– Acho que vou desistir por hoje. – disse Natália.
– Continue, mamãe! – incentivou “Frederico”, telepaticamente.
Natália não mexia a boca para falar com seu “filho”. Tudo era feito de modo telepático.
Estava quase desistindo, quando se deparou com uma linda cena. No canto de uma rua, um cachorro morto, purulento de vermes. O mal cheiro era insuportável.
– Não disse, mamãe?
Natália se aproximou, prendendo a respiração e tirou fotos, em diversos ângulos, do cadáver canino.
– Vai dar um quadro maravilhoso! – suspirou Natália.
Parecia estar com sorte, mais uns três quarteirões à frente, debaixo de um viaduto, um morador de rua, com uma ferida na perna, também repleta de vermes. Parecia sentir muita dor, mas não se mexia.
– Dá um dinheiro para ele, mamãe.
Natália, de forma cruel, deu um bom dinheiro para o morador de rua para que exibisse a ferida em sua perna, em diversos ângulos.
Finalmente, tinha mais duas imagens para sua nova exposição.
– Vamos parar por hoje, filho. Estou cansada.
– Por hoje chega, mamãe.
Natália e “Frederico” foram para casa.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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