Frederico vive: Capítulo 4 – Alarmes falsos

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Na obsessão por engravidar, Natália foi abandonando todas as atividades que, em outros tempos, amava fazer. Parou de pintar, de ir à academia, não saía mais com o seu marido. Pesquisava na internet sobre gravidez e começou a comprar o berço e o enxoval do bebê antes mesmo de engravidar.

Por diversas vezes, teve gravidezes psicológicas, mas todos eram alarmes falsos. Quando as regras atrasavam, mesmo que fosse durante um ou dois dias, começava a se animar, caindo em uma profunda melancolia quando o sangue descia; chegou a ter até enjoos e estranhos desejos, acreditando estar grávida.

Seu marido tentava dissuadi-la da ideia fixa, levando-a para sair, jantar fora, mas não adiantava: durante os eventos e passeios programados por Valentino, tinha apenas um assunto: a gravidez do seu filho, que nunca vinha. Valentino não sabia o que fazer, queria que Natália esquecesse um pouco da ideia fixa de ser mãe.

Acreditava que teria um menino, por isso, decorava o quarto do filho com azul e comprava roupas de bebê com a mesma cor. Tinha até um nome para o filho: Frederico, que era o nome de seu avô. Percebendo que não tinha o que fazer, que nada iria dissuadi-la de sua obsessão, preferiu se calar e dar tempo ao tempo para ver onde tudo aquilo iria parar.

Toda semana Natália fazia aquele teste de gravidez de farmácia: trancava-se no banheiro, e saía com os olhos marejados quando o teste dava negativo. Não conseguia se livrar daquela obsessão.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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