Frederico vive: Capítulo 48 – No pequeno quarto

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Conforme o combinado, Zezão foi andando na frente e Natália o seguia a alguns metros de distância. De longe, observava aquela figura grotesca, disforme, com uma barriga imensa, além daquele aspecto encardido, com roupas rotas. Andando apressadamente parecia mais esquisito.
– Não vou ter coragem – disse Natália com a respiração ofegante.
– Agora não tem mais como recuar. Siga em frente.
Respirou fundo e seguiu o homem que entrava em um fétido beco. Zezão parou em frente a uma porta de um estranho cafofo, fez sinal para Natália e foi porta adentro. Natália o seguiu. O cheiro nauseabundo do pequeno cubículo em que Zezão vivia a sufocava. O colchão era uma espuma que não estava forrada.
– Não repara não, meu cafofo é bem humilde.
– Sem problemas. O importante é estarmos aqui. – respondeu Natália, tentando disfarçar o constrangimento.
– Tem uma faca no canto, mamãe. Pega e esconde.
– Para quê?
– Deixa que eu dou as instruções.
Quando Zezão virou as costas, pegou a faca e escondeu na bolsa, colocando-a em um velho móvel, ao lado da cama.
– Vem aqui, minha delícia! Quero ter você.
O homem começou a beijar o pescoço de Natália, que tentava mascarar a sua repugnância. Deitou-a na cama e começou a tirar sua roupa e a beijar toda a extensão do seu corpo. Natália prendeu a respiração para não sentir o insuportável cheiro de encardido do colchão de espuma.
– É agora, mamãe.
– O quê?
– Você sabe.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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