Frederico vive: Capítulo 50 – Febre

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Em seu apartamento, Natália ficou por quase uma hora debaixo do chuveiro se esfregando. Sentia-se suja por ter entregado o seu corpo a um ser repugnante, pelos assassinatos que havia cometido, somente às custas de, supostamente, pintar quadros com temática de morte e cadáveres.

Debulhava-se em lágrimas, agachada, debaixo do chuveiro, com a água batendo em seu corpo. O que estava fazendo de sua vida? Estava fazendo as coisas mais absurdas por um ser que só existia para ela, ninguém mais sabia, um amor tão incondicional; entretanto, ninguém compreenderia.

Saiu do banho, enrolada na toalha, ainda se sentindo imunda. Deitou-se na cama. Ficou olhando para o teto, tentando reorganizar suas ideias. Teve vontade de voltar para o chuveiro e continuar se levando, mas não teve forças para se levantar. Sentiu que se encontrava em um estado febril.

Sentia calafrio por todo o corpo, percebeu que sua temperatura aumentava: a respiração estava ainda mais pesada e ofegante. Uma série de pensamentos truncados surgia em sua mente. Tinha a impressão de que todas as suas vítimas estavam ali observando-lhe.

Em alguns minutos de cochilo, teve uma breve impressão de que seu marido, Agripina, Janine e Zezão estavam lado a lado, contemplando-a. Olhou para o chão do seu quarto e lá estava um pombo esmagado. Acordou esbaforida, ainda com muita dor no corpo.

Continuaria com seu descanso e suas profundas reflexões, se “Frederico” não chamasse:

– Mamãe, vamos, para com essa moleza e pinta o novo quadro.

 

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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