Frederico vive: Capítulo 54 – Quase desistindo

Por: Jorge Eduardo Magalhães
– Nem pensar. Não quero mais fazer isso.
“Frederico” ignorava os apelos da mãe.
– A exposição será um enorme sucesso, principalmente a tela A ninfeta mutilada, que a sua amiga servirá como modelo.
– Não preciso matar mais ninguém para ser uma pintora de sucesso.
– Precisa sim! Essa é a maior diferença das suas telas: os modelos, suas fontes de inspiração.
– Não quero.
– Quer sim. Escolha um belo vestido e vá lá encontrar aquela vagabunda.
Natália estava subordinada ao seu filho imaginário. Fazia tudo o que ele ordenava submissamente. Pensou em dar um fim àquilo tudo, até em eliminar “Frederico”, mas não tinha coragem.
Aproximava-se a hora de se encontrar com Luíza. Tomou um banho, pensando como se livraria daquela situação. Escolheu um vestido preto acima dos joelhos e se maquiou com cuidado. Ficou muito bonita e jovial. Ao mesmo tempo em que se sentia temerosa em encontrar Luíza, também transparecia certa excitação.
Olhou-se no espelho mais de uma vez. Há muito tempo que não se sentia tão bonita e sensual.
– Está quase na hora. Conquiste a confiança daquela vagabunda e acabe com ela.
– Não quero fazer isso hoje.
– Não precisa ser hoje. Quando chegar a hora, eu falo.
Colocou “Frederico” no fundo de sua bolsa, sem o mesmo entusiasmo e carinho de recentes dias pretéritos, e saiu com entusiasmo e temor. No caminho para o bar onde encontraria Luíza, oscilava entre diminuir e acelerar o passo para encontrá-la. Sentia uma imensa vontade de vê-la, mas ao mesmo tempo, temia pelo seu destino, traçado por “Frederico”.
Pensava em desistir, mas parava, respirava fundo e seguia em frente. Queria muito encontrá-la; sobre o que Frederico queria que fizesse com ela, daria um jeito depois.
Finalmente, chegou ao bar dez minutos antes do horário marcado. Torceu para que ela não aparecesse, que a bloqueasse e perdessem o contato para sempre, mas, ao mesmo tempo (não entendia o porquê), queria muito encontrar aquela jovem. Estava completamente confusa e angustiada.
Já havia passado meia hora do horário marcado e Luíza não aparecera. Olhou o celular e não havia nenhuma mensagem.
– Acho que ela não vem, “filho”.
– Deve só estar atrasada.
– Vamos embora daqui a pouco?
– Espera só mais um pouco.
Passaram mais uns dez minutos, Natália estava quase desistindo, já pediria a conta para ir embora, quando surge, deslumbrante, Luíza na porta do bar.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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