Frederico vive: Capítulo 60 – Difícil conversa com “Frederico”

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Em seu apartamento, enquanto esperava Luíza chegar com suas coisas e preparava o espaço para recebê-la, “Frederico” não parava de falar.
– Você não pode fazer isso, mamãe!
– Você queria que eu a matasse para pintar mais um quadro?
– A exposição seria um sucesso.
– Você só pensa nessa exposição.
– A sua carreira.
– Renuncio à minha carreira.
– O quê?
– Isso mesmo. Prefiro ser feliz ao lado de quem eu amo.
– Mamãe, você está louca.
– Louca, por quê? Porque estou amando outra mulher. É isso?
– Não se trata disso, mamãe. Ela vai destruir a sua vida, como destruiu a da Janine.
– Quem acabou com a vida da Janine fomos nós, esqueceu?
– Nós tiramos a vida dela, mas foi aquela vagabunda quem a fez ficar frágil e beber em excesso.
– Não use esses termos para se referir à Luíza.
– Ela fará o mesmo contigo, mamãe.
– Para com isso!
– Mamãe, nem precisa matar a Luíza, pode desistir da exposição, mas tira aquela mulher da sua vida. Ela só quer explorar. Confia em mim.
– Você está é com ciúmes, isso sim.
– Se eu não existisse somente em sua mente e pudesse sair desta garrafa, expulsava aquela vadia da sua vida, mas nada posso fazer preso neste vidro com formol e em tua consciência.
– Não abrirei mão da minha felicidade por causa de um capricho seu.
– Mamãe, não é capricho, nem ciúmes, mas preocupação. Mas tomei uma decisão definitiva.
– Qual?
– Como não posso mudar o seu pensamento, ficarei calado para sempre. Nunca mais conversaremos.
– Pare de bobagem.
– Não é bobagem. É definitivo. Estas são as últimas palavras que falo. De agora, em diante, serei apenas um feto natimorto em uma garrafa com formol. Adeus!
– Para de infantilidade, “filho”.
Frederico não respondeu. Triste e aliviada, Natália escondeu a garrafa com o feto no canto do armário, em um compartimento que só ela teria acesso.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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