Frederico vive: Capítulo 61 – Aguardando Luíza

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Após guardar “Frederico” em um canto escondido do armário, Natália continuou os preparativos para receber Luíza, arrumando a casa e conferindo se havia tudo o que ela gostava na geladeira. Separou um vinho de excelente safra para celebrarem a união apaixonada.

Entretanto, enquanto conferia os últimos detalhes para receber sua amada (queria que fosse uma recepção impecável), sentia certa tristeza em seu coração pela promessa de silêncio de “Frederico”. Será que ele cumpriria mesmo o que falou? Sentiria muito a sua falta, ao mesmo tempo em que estava aliviada por não precisar mais praticar assassinatos.

Mesmo sentindo falta de seu “filho”, precisava viver o mundo real, relações verdadeiras; afinal de contas, tinha a consciência de que “Frederico” era vivo e existia; mas apenas em seu coração, ninguém, nem mesmo Luíza, entenderia a sua relação com um filho que, na prática, não existia.

Pensou em abrir o armário e insistir para que “Frederico” falasse com ela, mas desistiu. Era preciso se renovar, sempre falaria com o “filho” telepaticamente, mesmo que ele não a respondesse, estaria sempre presente em seu “eu”, estaria sempre vivo em seu coração.

A hora de Luíza chegar estava se aproximando e despertou o temor de que ela não aparecesse. Em seu peito, uma taquicardia e tremor em suas mãos: algo a incomodava, deixando-a tensa. Verificou se havia alguma mensagem no celular. Não tinha. Aguardava ansiosamente.

Refletiu sobre o convite que fizera. Por alguns instantes, chegou a se arrepender. Tinha sido bastante passional ao convidar Luíza para viver em seu apartamento, pois mal a conhecia. Tinha consciência de que fora muito imprudente. Brigou com o filho por causa de alguém que mal conhecia.

Que filho? Era necessário se livrar de toda aquela loucura. “Frederico” não era real. Finalmente, viveria um amor intenso e verdadeiro. Será? Estava pensando em desistir, enviar uma mensagem a Luíza, pedindo que não fosse mais, pois tudo aquilo havia sido uma precipitação.

Pegou o celular quando a campainha tocou. Seu coração disparou, sentiu um calafrio em seu corpo em um paradoxo de medo e prazer. Demorou alguns instantes para atender. A campainha continuou tocando. Lentamente, aproximou-se da porta. Não teve coragem de conferir no olho mágico. Atendeu a porta. Luíza estava bem diante dela, com suas malas, mais deslumbrante do que nunca.

A fala de “Frederico” ressoava em sua mente:

“Ela vai destruir a sua vida, como destruiu a da Janine”.

 

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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