Frederico vive: Capítulo 65 – Mudanças repentinas

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Com o tempo, as coisas começaram a mudar na relação entre as duas. Luiza começou a ficar cada vez mais distante, evitando a aproximação de corpos e sempre saía para as noitadas. Para terem alguma relação, era preciso que Natália praticamente implorasse e Luiza agisse como se estivesse fazendo um favor em permitir que a tocasse.

Por outra lado, Natália começava a se dar conta de que estava cada vez mais obcecada pela jovem, como se fosse um vício. Tinha vontade de mandá-la embora de sua casa, mas não conseguia. Necessitava da presença de Luiza, de seu corpo, de beijar seus lábios. Sua necessidade era maior do que a razão.

Quase todas as noites, ao sair para a balada, Luiza pedia dinheiro a Natália para gastar. Hesitava em negar; entretanto, não conseguia. Não sabia como dizer não à sua amada. Pegava o dinheiro da bolsa e, submissamente, entregava-lhe, e saía sem ao menos se despedir.

A única vez que tentou negar, Luiza foi ameaçadora:

– Olha: se você não me der dinheiro, é porque não me ama.

– Mas claro que te amo.

– Se não me der, sumo da tua vida agora e você nunca mais vai me ver.

– Você não pode me abandonar.

– Você não está acreditando? Experimenta não me dar o dinheiro! – disse com arrogância.

Sem hesitar, Natália entregou o dinheiro a Luiza, que saiu batendo a porta. Assim que ela saiu, Natália tomou uma dose dupla de uísque, sem gelo. Aliás, começara a se dar conta de que estava bebendo cada vez mais, inclusive, com tanta frequência e quantidade como Luiza.

Enquanto ficava sozinha em seu apartamento, esvaziando as garrafas da adega, imaginava o que Luiza poderia estar fazendo na noite. Será que a traía com outra? Ou quem sabe com outro? Tinha pavor somente de pensar nessa hipótese. Nunca havia sido possessiva com ninguém na vida; nem com seu falecido marido, mas agora Luiza estava levando-a à loucura. Há meses só vivia em função daquela criatura, gastando muito mais do que o normal com os caprichos de alguém que mal conhecia. O que estava fazendo de sua vida?

Precisava criar coragem e dar um basta naquilo tudo. Teria uma conversa séria com Luiza. Não. De nada adiantaria. Certamente, Luiza se esquivaria e se faria de vítima. Na próxima noite a seguiria. Dependendo do que visse, tomaria a decisão correta. Estava decidido.

Por alguns instantes, sentiu saudades de “Frederico” e recordou de suas últimas palavras; talvez uma profecia. Encheu o copo com o resto de uísque que tinha no fundo da garrafa.

 

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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