Frederico vive: Capítulo 71 – À procura de Luiza

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Natália percebeu que Luiza a bloqueara no celular e não atendia às suas ligações. O seu desespero, sua abstinência pela falta parecia aumentar, ficando insuportável. Tinha vontade de gritar para todos ouvirem a sua angústia pela falta da amada.
Sabia que Luiza só queria arruinar seu patrimônio; aliás, tivera uma baixa considerável em sua conta bancária durante os meses em que viveram juntas, mas não tinha importância. Já havia perdido tudo mesmo, nem mesmo seu filho imaginário falava mais com ela telepaticamente.
Procurou-a pelos cantos mais obscuros da cidade. Sabia os bares e boates que gostava de frequentar. Primeiramente entrou no bar onde sabia que Luiza frequentava e, muitas vezes, beberam juntas ali. Rondou pelo bar e nem sinal. Ainda andou pelos arredores.
Entrou na boate onde dera o flagrante em Luiza. O local parecia estar ainda mais cheio do que naquela fatídica noite. Devido à escuridão e a fumaça no ar, era difícil encontrar alguém específico. Mas não desistia, tinha esperança em encontrar e levá-la de volta para sua casa e sua vida.
Sentiu um calafrio quando viu no canto, perto do banheiro, uma jovem, que parecia ser Luiza. Estava de costas. Teve receio de se aproximar, pensou em desistir. Ao mesmo tempo que queria que fosse ela, também queria que não fosse. Era um estranho e controverso sentimento.
Criou coragem e se aproximou e, antes que falasse com ela, a moça se virou de frente e Natália constatou que não era Luiza. Sentou-se decepcionada e aliviada. Entrou no banheiro, lavou o rosto e começou a chorar, refletindo sobre sua própria vida, os rumos que sua trajetória havia tomado.
Enxugando as lágrimas para disfarçar sua tristeza, e prendendo o choro, pegou um táxi e voltou para o seu apartamento. Durante o trajeto, cogitou a hipótese de tirar a sua vida, ingerindo tranquilizantes. Sua vida não fazia mais nenhum sentido. Não. Precisava seguir em frente, ainda era nova, poderia mudar de cidade, recomeçar em um local onde não conhecesse ninguém.
Ao descer do táxi, depois de tal reflexão, sentia-se mais animada, pensando já em qual local escolheria para recomeçar a sua vida. Levou um susto ao entrar em seu apartamento e se deparar com Luiza ao lado do rapaz que estava com ela na boate.
– Voltei.
– O que este cara está fazendo aqui?
– O Rodrigo vai ficar aqui com a gente.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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