Frederico vive: Capítulo 77 – Post scriptum

Por: Jorge Eduardo Magalhães
Segundo consta nos manuscritos, Natália, após o casal agonizar bastante até a morte, deixou os corpos na cama até entrarem em avançado estado de decomposição para começar a pintar a tela, intitulada “Casal em putrefação”, tendo os cadáveres de Luiza e Rodrigo como modelos.
O forte mau cheiro acabou chamando a atenção dos moradores do prédio, que acionaram a polícia. Conforme a descrição do manuscrito, os policiais se depararam com uma cena chocante, Natália no quarto, sentada em um cadeira, com um olhar perdido em direção aos cadáveres, purulentos de vermes e a tela que pintara, tendo como modelo a bizarra cena.
Todos ficaram impressionados com o realismo da pintura. Natália estava abraçada à garrafa com o feto no vidro em formol, repetindo, com um ar doentio:
– A exposição será um sucesso, meu filho!
As diversas fotos dos cadáveres de Zezão, Janine e Agripina, junto com seus manuscritos, detalhavam minuciosamente seus atos, inclusive sua culpa na queda do marido, que ocasionou sua morte: uma espécie de diário confirmava sua autoria nos assassinatos.
De acordo com o que li nos autos, Natália não ofereceu resistência ao receber voz de prisão, deixando-se ser algemada, mas mesmo sem as mãos livres, foi conduzida abraçada ao vidro com o feto no formol. Nas notícias de jornal, li que Natália, em nenhum momento de sua prisão, desmanchou o sorriso doentio e seu olhar perdido.
Agora, em poder de tão forte manuscrito, publicarei, em breve este relato, tão sórdido e real. A edição já está quase formatada, em fase final para a publicação. O título: FREDERICO VIVE.
FIM
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