Guterres pede “coragem e ação” em discurso na COP30 em Belém

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um alerta contundente nesta quinta-feira (6), durante a Cimeira de Líderes da COP30, em Belém (PA). Em um discurso que chamou de “chamado à verdade”, ele afirmou que o mundo está em um momento decisivo e que o que falta agora é “implementação”.
Guterres declarou que a “dura verdade” é o fracasso em manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, limite que classificou como uma “linha vermelha para a humanidade”. Segundo ele, mesmo um breve excesso desse limite trará impactos devastadores sobre ecossistemas, economias e vidas humanas, afetando especialmente os países menos responsáveis pelas emissões, o que representa uma “falha moral e negligência mortal”.
Baseando-se em dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o secretário-geral lembrou que as emissões globais atingiram um novo recorde em 2024 e continuam crescendo em 2025.
Guterres apresentou um plano de resposta em três frentes:
- Reduzir imediatamente as emissões, acelerando a transição energética;
- Zerar as emissões líquidas até 2050;
- Proteger populações vulneráveis com adaptação, resiliência e sistemas de alerta até 2027.
Ele reforçou que a “revolução da energia limpa já está em curso”, destacando que a energia solar e eólica são hoje as fontes mais baratas e de crescimento mais rápido da história. No entanto, criticou os subsídios bilionários aos combustíveis fósseis, afirmando que “investir em combustíveis fósseis é apostar contra a humanidade e contra a economia”.
O líder da ONU observou que, em 2024, os investimentos em energia limpa superaram em US$ 800 bilhões os destinados aos combustíveis fósseis. Para ele, o problema não é tecnológico, mas sim a falta de coragem política.
“Belém deve ser lembrada como o lugar onde a liderança substituiu a inércia”, afirmou.
Guterres também enfatizou a justiça climática, cobrando dos países desenvolvidos a mobilização de US$ 300 bilhões anuais até 2035 para financiar ações de adaptação e perdas e danos nos países em desenvolvimento.
Encerrando o discurso, o secretário-geral fez um apelo direto aos líderes mundiais:
“A ciência traçou o caminho. Agora é a hora da coragem. Escolham a velocidade, a escala e a solidariedade.”
A COP30, que Guterres chamou de “a COP da verdade”, marca o início de negociações decisivas sobre o futuro climático do planeta, com o apoio do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Com informações de ONU News
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: ONU/Kiara Worth
