IBGE: 19% dos moradores de favelas vivem em vias sem acesso a veículos

O Censo 2022 revelou que 19,2% dos moradores de favelas e comunidades urbanas no Brasil viviam em 2022 em trechos de vias acessíveis apenas por moto, bicicleta ou a pé. Isso representa 3,1 milhões de pessoas sem circulação de carros, caminhões, ônibus ou ambulâncias. Fora desses territórios, apenas 1,4% da população enfrentava a mesma limitação.
Os dados fazem parte da publicação “Favelas e Comunidades Urbanas – Características Urbanísticas do Entorno dos Domicílios”, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (5). O estudo abrange 16,2 milhões de residentes distribuídos por 12,3 mil favelas em 656 municípios.
Acesso restrito e infraestrutura precária
O levantamento mostra limitações de circulação devido à largura das vias e presença de fiação. Entre as maiores favelas do país, Rocinha (81,9%), Rio das Pedras (71,5%) e Paraisópolis (59,2%) foram as que mais concentraram moradores em trechos acessíveis apenas a veículos de pequeno porte.
Além disso, 62% dos moradores de favelas viviam em vias com circulação máxima para caminhões e ônibus — percentual bem inferior aos 93,4% observados fora desses territórios. Já o acesso para carros e vans atingia 18,8% dos moradores de favelas, contra 5,3% nas demais áreas urbanas.
Coleta de lixo e saneamento básico
A capacidade de circulação das vias influencia diretamente o destino do lixo. Nas favelas com acesso para caminhões, 86,6% tinham coleta domiciliar por serviço de limpeza, enquanto 11,1% dependiam de caçambas. Fora dessas áreas, a coleta direta alcançou 92,4% dos domicílios.
Em relação ao saneamento, 67,3% dos moradores em trechos pavimentados das favelas tinham acesso a algum tipo de esgotamento sanitário, contra 83,3% nas áreas externas. A região Norte reuniu os piores indicadores, com apenas 40,2% dos moradores em favelas atendidos por rede de esgoto.
Pavimentação insuficiente
O estudo apontou que 21,7% dos moradores de favelas (3,5 milhões de pessoas) residiam em ruas sem pavimentação. Fora desses territórios, o percentual caiu para 8,2%.
O Distrito Federal, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Roraima foram os estados com maior desigualdade entre áreas de favela e demais regiões. Em números absolutos, São Paulo (396 mil), Recife (345 mil), Belém (255 mil) e Rio de Janeiro (233 mil) lideram o ranking de moradores em favelas sem vias pavimentadas.
Drenagem e risco de alagamentos
Menos da metade dos moradores de favelas (45,4%) viviam em trechos com bueiro ou boca de lobo, infraestrutura essencial para drenagem e prevenção de enchentes. Nas demais áreas, a cobertura atingia 61,8%.
Favelas de São Luís (MA), Rocinha (RJ) e Mauá (SP) estão entre as piores taxas, enquanto Belém (PA) e Manaus (AM) apresentam os melhores cenários.
Iluminação pública
O levantamento registrou que 91,1% dos moradores de favelas** tinham iluminação pública**, número inferior aos 98,5% observados nas demais áreas urbanas. A Rocinha apresentou apenas 54,3% dos moradores vivendo em vias iluminadas. Em São Paulo, mais de 437 mil pessoas viviam em trechos sem iluminação pública.
Baixo acesso ao transporte público
Somente 5,2% dos moradores de favelas** tinham um ponto de ônibus ou van no trecho onde residiam, enquanto fora desses territórios esse percentual era de 12,1%.
Rio das Pedras (RJ) e Pernambués (BA) estão entre as áreas com menor cobertura, enquanto Manaus e São Bernardo do Campo aparecem com índices acima de 10%.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
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