JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 1 – Departamento de Casos Especiais

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Meus amigos e familiares nunca imaginariam que um dia eu entraria para a polícia, aquele garoto educado, que gostava de música clássica e literatura. Na verdade, fiz concurso para a polícia mais por necessidade do que realmente por vocação. Aliás, confesso que não tenho nenhum dom para ser policial, mas foi o único concurso que apareceu e que fui aprovado.

A intenção inicial era ficar algum tempo na corporação para poder pagar a minha faculdade de Direito. Depois de formado, faria um outro concurso com um salário melhor, tendo maior estabilidade econômica e, finalmente, investir e dedicar-me à minha tão sonhada carreira literária; contudo, as coisas não aconteceram muito como planejei. Consegui me formar a trancos e barrancos, não tive tempo de estudar para um outro concurso, e nem tampouco tive condições de me tornar um escritor profissional.

Ninguém pode imaginar que até na carreira policial existe um lado poético-literário, principalmente para a situação a qual fui designado, o Departamento de Casos Especiais, um setor extraoficial, pode até ser chamado de “oficioso”, tendo em vista que é algo muito secreto e, creio, nem o governador saiba que exista.

Este Departamento fica situado no subsolo de um prédio público aqui do Centro do Rio de Janeiro, que não posso dizer onde fica, com casos ultrassigilosos e até inverossímeis, que não podem se tornar públicos nem para a população, muito menos para a imprensa.

Investigamos casos, por exemplo, de experiências clandestinas de cruzamento de seres humanos com animais, ao que chamamos aqui de “Bebês híbridos”, ou então de uma facção criminosa que tem, supostamente, aliança com um grupo de extraterrestres, cujo caso, denominado de “Ets criminosos”, ou mesmo, um outro grupo de criminosos, uma espécie de máfia brasileira que pratica rituais de magia negra, sacrificando recém-nascidos, os “Monstros dos Anjos”.

Cada caso aqui tem um título, muitos dos quais fui eu quem os nomeei. Talvez tenham me designado para este Departamento devido ao meu excesso de criatividade e minhas aptidões literárias. Sempre, durante o meu plantão, conversava com meus colegas sobre Agatha Christie e Sir Conan Doyle.

Posso certificar que o trabalho aqui no Departamento condiz muito com a minha personalidade, tendo em vista que, desde os tempos de escola, sempre fui muito reservado, preferindo, na hora do intervalo, ficar em um canto, lendo um livro, a jogar bola como os outros meninos. Devido ao preconceito das periferias que muitos escondem, sofri muita perseguição naquela época dos colegas que, inclusive, colocavam em xeque a minha masculinidade.

Viajo horas lendo e analisando os casos mais bizarros e inconcebíveis dos anais da Polícia Carioca, o que me dá um prazer imenso. Perco-me nas leituras. De fato, é algo fascinante este Departamento tão literário da corporação, trabalhando com pouquíssimas pessoas. Creio que eu seja o agente mais dedicado deste setor.

Dentre todos os episódios dos arquivos deste Departamento, o que mais me fascinou, obviamente por tê-la conhecido nos tempos de escola, foi o inacreditável caso de Jezebel, a musa do Soturno, ao qual fui designado e estou cada vez mais empenhado em meus apontamentos.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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