JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 11 – Talvez fosse Jezebel


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Dentre vários concursos públicos que prestei, o único que consegui entrar foi para a Polícia Militar. Por ironia, nunca gostei de armas; contudo, a necessidade me fez entrar para a corporação. Aliás, sinceramente, via a polícia apenas como um emprego como qualquer um.
Imaginem um garoto, que ficava em casa só estudando, enfrentar um ambiente hostil e um treinamento pesado, naquele recrutamento. Na verdade, nem sei se era tão pesado ou eu, realmente, é que não estava acostumado. Fui obrigado a me adaptar a uma nova realidade.
Apesar do enorme estranhamento com a carreira que era visível que eu não tinha a menor vocação, acabei tendo e me adaptar: o ingresso na Polícia Militar não foi o meu maior problema, mas sim, a situação que o meu emprego acabou me proporcionando.
Uma noite, depois de ter saído do quartel, eis que me reaparece Jenifer, acompanhada de umas três ou quatro meninas.
– Lembra de mim? – perguntou Jenifer, com um olhar fixo.
– Você não é a Jenifer?
– Isso mesmo.
Senti algo de ameaçador em seu olhar.
– Como vai?
– Eu vou bem, mas você…
– Como assim?
– Soube que você entrou para a PM, não é verdade?
– E daí?
– E daí é que o Quinzé não quer polícia morando aqui na área. Você e tua família têm dois dias para ir embora da tua casa, sem levar nada, nem as roupas. Está me entendendo?
Saíram sem olhar para trás. Fiquei durante algum tempo em estado de choque, parado no mesmo local, sem saber muito bem o que fazer, com uma confusão de sentimentos rondando em minha mente. Não prejudicava ninguém, não queria saber dos bandidos do meu bairro, pouco me interessava. Apenas queria seguir minha vida sossegado.
No dia seguinte, fui ao serviço reservado da PM e, com indiferença, disseram-me que não poderiam fazer nada. Na verdade, praticamente me culparam pela coação que eu estava sofrendo.
Voltei para casa. Ao descer do ônibus, vi de longe uma imagem que me parecia conhecida. Talvez fosse Jezebel.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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