JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 15 – O início da carreira


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
O término do curso na Academia de Polícia foi alguns meses após a formatura de Direito. Durante o curso e na hora do intervalo no café, sempre encontrava o ex-Capitão Fragoso, que se preparava para delegado. Simpatizava comigo e admirava meu conhecimento.
– Um dia você ainda será delegado. – dizia-me.
Fui designado para uma delegacia no Centro do Rio, e mudei-me para um conjugado no Bairro de Fátima. Dava para ir a pé ao trabalho, e me afastar daquela vizinhança bizarra do bairro onde fui criado; o meu novo endereço era mais acessível e, principalmente, havia maior mobilidade.
Nunca fui muito ligado à família. Desde criança, sempre fui distante de tudo e de todos; contudo, por questões de formalidade, muito raramente ia visitar meus familiares, e verificava que a casa onde Jezebel havia vivido permanecia abandonada, desde o desaparecimento do Quarteto Fantástico. Aquela morada me dava arrepios, parecia-me ainda mais tenebrosa.
Aliás, apesar de estar longe dos tempos de minha paixão de adolescência, todas as vezes que passava por aquele local, vinha à minha mente a figura de Jezebel na escola, e aquela outra que vi de longe, a que achei ser ela, no dia do assassinato do grupo de Jenifer e do desaparecimento do Quarteto Fantástico.
Provavelmente, a figura de Jezebel nunca havia sido uma paixão propriamente dita, mas alguém que me fascinava, devido à sua beleza e presença. O seu misterioso desaparecimento também me deixava intrigado: o que teria acontecido com ela? Ainda estaria viva?
Com o tempo, as minhas visitas em meu antigo bairro foram se tornando cada vez mais raras, distanciando-me, inclusive dos familiares. Segui minha vida no novo bairro e me dediquei à carreira na Polícia Civil. Livre e desimpedido de relacionamentos amorosos, dividia meu tempo entre meu trabalho na delegacia e minhas leituras. Como morava próximo, nas folgas caminhava até a Biblioteca Nacional, viajando nas leituras do seu acervo.
O meu apartamento era minúsculo, mas para mim estava ótimo: tinha tudo o que precisava. Nunca liguei para conforto, apenas para privacidade, que tinha de sobra, ao contrário de quando vivia naquele bairro do subúrbio, com aquela família invasiva. Aliás, era até bom morar em um apartamento pequeno para nenhum parente querer viver comigo, ou nenhuma mulher desamparada.
Em relação ao meu trabalho na delegacia, eram funções mais burocráticas que, de fato, investigação. Na verdade, não me importava com isso, pois nuca tivera vocação para ser policial, tanto na Polícia Militar quanto na Civil: era apenas uma questão de sobrevivência.
Tudo fluía na mais absoluta tranquilidade, quando cheguei à delegacia e o delegado me chamou em sua sala, dizendo que eu não trabalhava mais naquela unidade, e teria de me apresentar na Secretaria de Segurança Pública.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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