JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 19 – Analisando os arquivos


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Devido ao sigilo do meu trabalho, é válido ressaltar que nestas minhas narrativas os nomes das instituições e dos envolvidos, com exceção de Jezebel, foram modificados. Também deixo vaga a exatidão da maioria dos locais, como, por exemplo, o bairro de subúrbio em que passei minha infância, adolescência e parte da minha vida adulta.
Aliás, não falo sobre detalhes de minha família e seus membros por duas razões: a primeira é para preservá-los, tendo em vista que vivem no mesmo local; a segunda é porque, sinceramente, nunca foram importantes para mim. Na verdade, sempre os achei um verdadeiro estorvo em minha vida.
Voltando ao meu trabalho no Departamento de Casos Especiais, fiquei encantado com os casos. O que mais me intrigou foi o dos “Bebês Híbridos”, cujas “criaturas” eram fecundadas em um sítio, no interior do Estado, onde funcionava uma clínica clandestina de fertilização.
Neste caso, li e analisei com atenção o dossiê, verificando as fotos que pereciam verdadeiras. Nunca vi nada tão bizarro e tétrico em minha vida. Como disse, não revelarei a localidade do sítio. Segundo verifiquei, ficava cerca de duas horas da cidade do Rio de Janeiro. A vizinhança nem desconfiava do que se passava por ali.
Anexadas ao dossiê, constavam fotos com plantas exóticas e animais híbridos, cruzamento de duas espécies de aves e outras de mamíferos. Levei um susto ao ver as fotos daquilo que pareciam aves Dodô, consideradas extintas, espécie originária das Ilhas Maurício, desparecidas desde o século dezessete.
Ainda constava no dossiê secreto que mulheres pobres da região eram recrutadas para serem fecundadas com esses bebês híbridos em troca de certa quantia em espécie. Senti um calafrio ao me deparar com fotos de seres que eram misturas de bebês humanos com algo semelhante a um cão ou um primata. Por alguns instantes, lembrei-me de A ilha do Dr. Moreau, de Wells.
No mesmo dossiê constava outra foto que posso classificar, na melhor das hipóteses, como arrepiante de uma espécie de ser humano, com o rosto adulto, mas o corpo minguado, confinado em uma garrafa. Logo abaixo da foto estava escrito “Homem bonsai”.
Conferi ainda um outro dossiê dos “Ets criminosos” que continha fotos do que eram supostos extraterrestres, seres com olhos grandes, ao lado de marginais. Cheguei a ficar em dúvida se tudo aquilo era verdade, afinal de contas, certos aplicativos são capazes de montar qualquer imagem.
Minhas divagações, meus pensamentos parecem que foram lidos pelo Delegado Fragoso.
– Sei que é difícil acreditar, mas é tudo verdade. Por isso que é preciso manter sigilo, para não causar pânico e histeria à sociedade nem sermos vistos como lunáticos, pois são casos bem inverossímeis.
– E qual o desfecho quando o caso é solucionado?
– Um dia você vai saber.
Fragoso se retirou e continuei a analisar os arquivos.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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