JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 2 – Aquela menina loura


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Preferi não falar a ninguém do Departamento que havia conhecido Jezebel. Não achei conveniente e prudente revelar aos meus colegas de polícia que havia convivido com uma fora da lei como ela, mesmo sendo naqueles presumíveis inocentes tempos de escola.
Revirando o dossiê “Jezebel, a musa do Soturno”, fiquei contemplando, por alguns longos instantes, as suas fotos, e verifiquei que, apesar de ter se vulgarizado, continuava bonita. Confesso que, embora conhecesse sua sórdida história, fiquei encantado ao olhar aquelas fotos.
Todas aquelas lembranças, fizeram-me voltar aos meus tempos de sétima série, quando a conheci. Tinha treze anos na escola municipal, Jezebel entrou na turma já entre o final de abril e início de maio. Lembro-me de que era do interior de Santa Catarina e viera morar no Rio de Janeiro, na casa de uma tia, devido a uma enchente em sua cidade que fizera sua família perder tudo.
Jezebel veio sozinha viver com a tia. Sua família, não sei o motivo, não a acompanhou. Provavelmente, o marco inicial da transformação de sua personalidade tenha se dado a partir do momento que veio morar com essa tia velha, aqui no Rio de Janeiro.
Recordo-me com nitidez do seu primeiro dia em nossa turma: era diferente, muito branca, cabelos louros e olhos encantadoramente azuis, diferente da maioria dos alunos daquela escola. Jezebel entrou na sala, levada pela diretora, já no fim do primeiro tempo. Quando foi apresentada pelo nome, a turma riu, principalmente as meninas que a odiaram à primeira vista.
Creio que não somente eu, mas também os outros meninos, ficaram encantados com a sua beleza, tendo em vista que ela era diferente de todos nós, a maioria pardos e negros, enquanto Jezebel tinha traços puramente europeus. Enquanto os meninos ficaram fascinados com aquela linda imagem angelical, as outras meninas a olhavam com ódio.
– Que branquela horrorosa! – disse uma delas.
– Tem o nome de uma rainha má da Bíblia, no Livro de Reis – disse uma colega evangélica.
Outra menina enfatizou:
– Não é aquela que foi jogada pela janela?
– Sim, casada com o Rei Acabe.
– Bem que a gente poderia fazer o mesmo com ela. – disse cochichando, provocando risinhos entre as colegas despeitadas pela beleza da nova aluna.
Naquele dia, não consegui me concentrar na aula. Estava fascinado por aquela menina loura. Certamente, Jezebel foi a minha primeira paixão. Uma paixão avassaladora, típica de meninos. Nunca imaginaria que se tornaria uma criminosa; aliás das mais perigosas.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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