JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 20 – Gisele


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Não tenho a menor vergonha de confessar que, logo no início em que fui lotado no Departamento de Casos Especiais, fiquei quase um mês sem dormir, pensando nos arquivos bizarros; contudo, com o tempo, fui me acostumando e até gostando, pois aqueles casos me trouxeram bastante inspiração para futuros livros em minha possível carreira literária.
Quanto à minha vida pessoal, tudo corria tranquilamente. Creio que já tenha dito que nunca me incomodei em viver sozinho. Na verdade, sempre fui reservado e até recluso; entretanto, sentia falta de alguém para me relacionar, aliviar minhas tensões se podem entender o que quero dizer.
Embora já tenha procurado centros de lazer para me aliviar, na verdade, nunca apreciei esses lugares. Sempre gostei de conversar e conhecer as mulheres com as quais me relaciono. Preciso ter certa intimidade com a mulher, o que é diferente de viver sob o mesmo teto.
Dentro dessa perspectiva, foi em uma tarde, quando estava de folga e fui ao mercado próximo de onde eu morava, lá estava ela: não era bonita nem feia, aliás, posso dizer que tinha uma beleza nas entrelinhas. Trocamos olhares entre as gôndolas onde estavam os produtos de limpeza.
Aproximei-me e, com um pretexto de iniciar uma conversa, comentei sobre os altos preços daquele mercado. Chamava-se Gisele, tinha baixa estatura e olhos vibrantes. Parecia que nos conhecíamos há bastante tempo e, para minha surpresa, morava na minha rua.
– Como é que nunca nos vimos? – dizia.
– Pois é.
Gisele era professora da Educação Infantil e morava com a filha de sete anos em um quarto e sala. Sua filha, àquela hora, estava na escola, por isso, reservara o horário para fazer compras. Casou-se cedo, com oposição de sua família, logo engravidou, mas quando sua filha tinha apenas dois anos, seu marido, que era jogador compulsivo, abandonou as duas. Conversamos no caminho para o seu prédio, que era bem próximo do meu. Nossa intimidade e afinidade foi instantânea. Ajudei-a a levar as compras até a porta do seu prédio.
– Quer subir para tomar um café? – perguntou Gisele.
– Não quero incomodar.
– Não incomoda.
– Que bom.
Subi. Acabamos nos esquecendo do café.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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