JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 21 – Os Filhos do Inferno


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Gisele passou a ser presente na minha cama e vice e versa. Revezávamos cada vez no apartamento de um, mas sem morarmos sob o mesmo teto; nossa intimidade era muito boa, embora a achasse muito ingênua e infantilizada. Parece que foi contaminada pela infantilidade de seus alunos.
Nunca tive muita afinidade com crianças e sempre receei me relacionar com mulheres que já têm filhos; entretanto, acabei me dando bem com sua filha que, apesar da pouquíssima idade, às vezes, parecia ser mais madura que sua mãe, inclusive comentando sobre suas leituras, bem adiantadas para sua idade.
Não falei para Gisele que trabalhava na Polícia. Disse-lhe que era escritor.
– Qual livro que você publicou?
– Ainda não publiquei nenhum, mas estou em negociação com o editor.
– Você vive de quê?
– Na verdade, estou vivendo de uma indenização de uma empresa que trabalhei e de uma quantia que uma tia deixou para mim.
– E teu livro?
– Publicarei em breve.
Foi a desculpa de uma reunião com meu editor que dei para Gisele quando meu telefone tocou, pedindo que eu fosse urgentemente ao Departamento.
– Depois você me diz como foi, querido.
– Pode deixar.
Naquele dia, nosso encontro foi no apartamento de Gisele, enquanto sua filha estava na escola. Vesti-me e saí apressadamente. Em vinte minutos estava no Departamento. O grupo, comandado por Fragoso, estava reunido.
– Só estava faltando você. – disse Fragoso.
– Espero que não tenha me atrasado muito.
– Não. Chegou na hora. – disse Eunice.
– Bem, vamos começar a reunião. Constatamos que em um casarão em Santa Teresa funciona uma seita satânica. Sabemos que isso não é crime, pois em nosso país temos liberdade de crença e de credo; contudo, segundo os levantamentos de nossos informantes, os membros da seita, comandada por um indivíduo conhecido como Reverendo Schuller, mantém pessoas presas e cometem sacrifícios de recém-nascidos em seus rituais.
– Que horror! – disse Eunice.
Achei interessante que, por mais duras que as mulheres sejam, todas têm instinto maternal. Percebi que Fragoso e Peixoto, provavelmente, pensaram o mesmo devido ao sorriso de ambos no canto da boca.
Fragoso completou:
– Você e o Peixoto irão na frente, de bonde, para não despertar nenhuma suspeita. Quando estiverem chegando, enviem-me uma mensagem que estarei à espreita com a Eunice.
Disfarcei meu pavor, sacudindo a cabeça afirmativamente. Seguimos para nossa missão.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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