JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 23 – A voz no porão

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Cautelosamente, com nossas armas em punho, dirigimo-nos em direção ao final do corredor, de onde vinha o distante som. O barulho de gritos foi aumentando. O local realmente tinha um ar pesado e um ambiente tétrico. Os gritos vinham de uma porta no final do corredor.

– Vamos arrombar! – disse fragoso, escalando-me com os olhos para executar a ação com ele.

Metemos a perna na porta ao mesmo tempo. Meu lado não abriu. Peixoto deu um sorriso sarcástico. Eunice fez o mesmo. Aliás, Eunice meteu o pé na porta, finalizando o arrombamento. Todos os três olharam para mim, com sarcasmo e aquela linguagem não verbal de “uma mulher tem mais força do que você”.

Entramos. Tratava-se de um porão. Estava muito escuro e descemos com lanternas iluminando o ambiente, com um forte cheiro de umidade e bolor. Quase caí da escada. Novamente meus colegas prenderam o riso. Tentei disfarçar meu duplo constrangimento, fingindo estar compenetrado na incursão.

Ouvíamos uma respiração ofegante ao fundo do cômodo, junto com um leve choro. Apontei a lanterna para o fundo do porão e não acreditávamos no que víamos: uma jovem. Não tinha mais do que dezoito anos, completamente nua e muito magra. Inicialmente, ficou assustada ao nos ver.

– Quem são vocês?

Fragoso a acalmou:

– Fique tranquila, menina. Somos da Polícia.

– Vocês vieram me tirar daqui?

– Sim. Vamos te tirar daqui.

Eunice pegou um balandrau com capuz no canto para vesti-la, mas ela gritou:

– Não quero vestir este negócio!

– É só para você não sair nua daqui. – completou Fragoso.

A menina, mesmo amedrontada, vestiu aquela espécie de manto. Estava muito fraca. Subiu as escadas do porão com dificuldade, amparada por Eunice, que tentava lhe dar apoio com seu olhar. Bem lentamente, conseguiu sair. Estranhou a luz, pois parecia estar há bastante tempo na escuridão.

Antes de sairmos, fizemos a escolta na frente da porta principal e do quintal, repleto de mato, para dar segurança. Peixoto pegou a viatura, que estava na rua ao lado. Colocamos a menina no carro e partimos para o hospital Souza Aguiar para ser atendida e medicada devido a seu estado de fraqueza e desnutrição.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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