JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 3 – Perseguição


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
Havia um grupo na escola municipal, formado por meninos e meninas, que lideravam a escola. Imediatamente, Jezebel, que era muito quieta, pois ainda estava assustada com o novo ambiente, sofreu perseguição dessa turma, principalmente pelas meninas, por ser tão bonita.
Jezebel fez amizade com Vandinho, um menino com trejeitos afeminados que, assim como ela, também sofria uma grande rejeição por parte dos alunos. Talvez, devido ao fato de Jezebel ser loura (já havia bastante militância na época), professores e a equipe de direção ignorassem o preconceito que a bela menina sofria. Ninguém se importava com o fato de uma menina branca sofrer perseguição por negros e pardos.
Sentia uma imensa vontade de me aproximar da dupla, obviamente, por causa de Jezebel, mas nunca tive coragem de ter qualquer contato. Ela morava com sua tia a dois quarteirões de mim. Cansei de rondar a sua casa. Vontade de bater em sua porta e inventar alguma desculpa, referente às matérias, mas na hora desistia.
Além da minha paixão de menino, a maior motivação para tentar me aproximar de Jezebel era a perseguição que eu também sofria na escola, afinal de contas, éramos marginalizados, mas, embora nunca tivesse me tratado mal, Jezebel mantinha a distância de mim e de todos, tendo Vandinho como seu único amigo.
A sua presença era forte, deixava-me encantado. Apesar de começar a despertar meus impulsos sexuais, não conseguia pensar em Jezebel de forma libidinosa, tendo em vista que a via de uma forma sagrada e angelical. Minha fascinação contrastava com a ira dos outros colegas da escola.
Aliás, Vandinho e Jezebel estavam cada vez mais próximos. Não chegava a ter ciúmes dele, pois sabia que não havia a menor hipótese de ficarem juntos (pelo menos achava que não). Inclusive, as más línguas diziam que Vandinho praticava coisas com os garotos no banheiro da escola, embora nunca tivesse constatado que aquilo realmente fosse verdade.
Devido ao ambiente hostil, que abundava na escola municipal, Jezebel e Vandinho ficavam cada vez mais isolados de um lado, e eu de outro, sempre lendo meu livro. O fato de eu gostar de ler despertava o escárnio dos colegas, que viam aquele hábito como algo de alguém frágil. Na hora do recreio, cada qual ficava em um canto oposto na quadra, minha amada com seu amigo e eu os observava de longe.
Em meu canto, percebia a tristeza no semblante daquela linda menina. Diziam ainda que não tinha uma boa relação com a tia. Pobre menina, saiu do interior de Santa Catarina, para uma cidade tão hostil, como o Rio de Janeiro, para ser tão destratada por seus colegas e sua familiar.
Certo dia, na hora do intervalo, aconteceu algo que creio ter sido o marco inicial para o processo de mudança de Jezebel.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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