JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 36 – Particularidades do Soturno


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
A boate clandestina, contrastava com o abandono daquele prédio. Funcionava em uma espécie de subsolo e tinha uma pista de dança com um pole dance, com mesas nos cantos e um bar bem abastecido de todos os tipos de bebidas. A pista da boate era decorada por mosaicos pretos e brancos.
– Vamos adiante, disse Fragoso.
Seguimos em frente dentro do estabelecimento. Arrombamos outra sala trancada e nos deparamos com um ambiente tétrico. Deparamo-nos com uma imagem com o corpo de homem e cabeça de boi, segurando um bebê. Parecia que a estátua era de bronze. Em seu colo, um buraco como se fosse uma pira. Pela coloração do buraco no colo da imagem, percebia-se que algo já havia sido queimado ali.
– Eles tinham razão. – disse Fragoso.
– Em relação a quê? – perguntou Peixoto.
– A estátua do deus pagão Baal.
– Já ouvi sobre este deus. – disse.
– A Rainha Jezebel, esposa do Rei Acabe, do Livro de Reis, adorava esse deus. – disse Eunice.
Achei inusitado Eunice conhecer a Bíblia.
– Mas depois falamos sobre isso, vamos verificar os outros compartimentos.
À medida que seguíamos em frente, mais tenso eu ficava, sentia uma enorme energia negativa rondar aquela atmosfera. Parecia não ter ninguém naquelas salas. O local parecia um labirinto. Havia ainda uma corredor longo, mas estreito com minúsculas cabines com camas, feitas por divisórias.
– Creio que todos perceberam que aqui também é um local de prostituição. – explanou Fragoso, em um tom quase didático.
O cheiro de perfume barato, junto com a umidade que vinha do prédio tornavam o ambiente insuportável.
– É estranho como o subsolo de um prédio velho possa abrigar um ambiente tão grande e tão bem decorado. – indagou Peixoto.
– Apesar de ser bem decorado, o lugar dá arrepios.
Preferi não falar nada, mas sentia o mesmo que Eunice. Afinal, na Polícia, nunca é bom mostrarmos nossos temores. Entretanto, tinha a impressão de que meu pavor era visível a todos, somente em meu olhar.
No final de um dos corredores, ouvíamos vozes.
– Vocês ouviram? – perguntou Fragoso.
Todos nós fizemos que “sim” com a cabeça: era uma porta de ferro, no final do corredor. Metemos o pé na porta. As vozes cessaram. Era difícil abrirmos, pois era feita com um ferro muito pesado. Finalmente, conseguimos e ficamos chocados com o que encontramos.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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