JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 37 – O martírio por trás da porta

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

O quarto ou cafofo, não sei muito bem como chamar aquele local, estava amontoado de pessoas, todos jovens. Inicialmente, devido à pouca iluminação, pareciam ser apenas mulheres, mas, logo percebia-se que havia travestis. Observamos ao fundo um closet improvisado, com roupas curtas, brilhantes, típicas para o ambiente.

– Quem são vocês? – perguntou uma das meninas assustadas.

– Somos da Polícia. – disse Fragoso.

Todos se levantaram, amontoando-se, dirigindo-se em nossa direção.

– Vocês vieram nos tirar daqui? – perguntou um jovem travesti.

– Sim. Viemos resgatar vocês. – disse Fragoso.

Todos os confinados se abraçaram chorando.

– Graças a Deus!

– Finalmente estamos livres!

Os brados e choros eram de alívio.

– Cadê os responsáveis pelo local? – perguntou Eunice.

– Devem ter fugido quando souberam da operação de vocês. – respondeu uma das meninas.

– Acho que tem uma saída pelos fundos. – explicou um travesti.

De repente, Peixoto ressurgiu.

– Constatei que tem uma saída pelos fundos e, provavelmente, os seguranças que estavam aqui de plantão, fugiram.

Na verdade, nem havia percebido a breve ausência de Peixoto, que continuou:

– Já acionei ambulâncias para levar o pessoal para um exame médico.

Fiquei impressionado com a eficiência de Peixoto.

– Chegaram. – disse Fragoso, verificando o telefone.

– Fiquem tranquilos. – disse Eunice aos resgatados.

– Só faltou pegarmos a tal da Jezebel e seus comparsas, mas isso é uma questão de tempo.

Meu coração disparou ao ouvir o nome de Jezebel. Tentei disfarçar. Creio que ninguém tenha percebido o meu desconforto. Ou se perceberam, não acharam que foi por causa de Jezebel.

Eram cerca de quinze jovens. Quando saímos do prédio com o pessoal, havia todo um aparato em torno do local, entre viaturas das Polícias Civil e Militar e ambulâncias do Corpo de Bombeiros. Os jovens olharam ao redor. Pareciam desacostumados à luz do sol. Estavam bem pálidos.

Mais uma vez observei a sordidez do local. Entrei na viatura descaracterizada, ao lado de Eunice.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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