JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 41 – Continuação do depoimento da travesti Lorraine

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

– Acho que já estou pronta para retomar meu depoimento. Vamos lá. No caminho de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro, eu estava cheia de sonho, imaginando uma vida de glamour e de sucesso e que, finalmente, estaria livre da prostituição. Imaginava meus shows artísticos, os filmes que faria como atriz.

Achei estranho o fato de Jezebel e seus comparsas seguirem calados de Belo Horizonte até aqui. Chegando ao Rio, fomos direto para o local onde funcionava a Boate Soturno. Fiquei assustada ao me deparar com aquele prédio velho e com aparência de abandonado.

Percebendo meu desconforto, talvez com medo de que eu saísse correndo, afinal, ainda não tinham me aprisionado, Jezebel, tentou me acalmar, dizendo para não me impressionar com a aparência do local, pois por trás daquilo tudo, havia um espaço de luxo e glamour.

Mesmo tensa, segui por aquele corredor escuro e com cheiro de mofo, agora escoltada pelos seguranças de Jezebel. Percebi que me espionavam por trás das portas dos cubículos. Finalmente, entramos no Soturno. Inicialmente, fiquei aliviada ao ver o palco, o queijo e o pole dance.

Passamos pela pista com o bar e seguimos por um corredor, onde tinha uma porta de ferro, ali onde vocês nos resgataram. Quando a abriram, deparei-me com meninas e trans amontoadas. Naquele momento, logo me dei conta de que havia sido enganada. Ali era um local de prostituição. Jezebel e seus capangas olharam para mim com sarcasmo e me trancaram junto com as outras.

Tínhamos que comprar maquiagem, vestuário, ficávamos endividados com aquilo que chamavam de moradia e alimentação. Éramos obrigados a atender clientes. A Boate Soturno era frequentada exclusivamente por homens, que procuravam mulheres ou travestis. Alguns gostavam dos dois.

Os clientes precisavam mandar uma mensagem para irem à boate. Era fornecida uma senha dita na entrada. Todos os aparelhos celulares eram acautelados. Ficávamos na pista, revezávamos nas danças. Tínhamos que enfrentar cada homem nojento e nos obrigavam a convencer o cliente a gastar conosco no bar. Às vezes, Jezebel fazia um strip-tease, sendo a maior atração da noite. Inclusive atendia clientes, desde que pagassem um preço exorbitante.

O único conforto que tínhamos era quando nos davam aquele mel que nos fazia viajar. Vivia em meu mundo paralelo, quando era uma atriz famosa, cujo cotidiano era o sucesso e a fama.

A vida real era dura; teve uma menina que tentou fugir e acabou perdendo a vida. Contudo, o mais bizarro era o culto a Baal.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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