JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 43 – Depoimento de Graciene, vulgo Brenda

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Fragoso me avisou que minha folga estava cancelada, tendo em vista que queria que eu participasse do depoimento de Graciene da Silva, conhecida na Boate Soturno como Brenda. Mesmo contrariado, preferi não reclamar. Fui dormir cedo para participar do depoimento.

Na manhã seguinte, estava lá na hora e no local marcado. Graciene estava visivelmente tensa. Começou o seu depoimento.

– Meu nome é Graciene da Silva, tenho 20 anos. Sou natural de Altamira, no Pará. Sempre sonhei ser artista e ir embora da minha cidade. O que antecipou a decisão foi o fato de eu deixar me filmarem transando com um rapaz da cidade, e ele jogou o vídeo na rede. Sabe como é interior. Era apontada na rua. Meus tios, com os quais eu morava desde pequena, pois meus pais faleceram, não dirigiam a palavra a mim e me deram um prazo para eu sair da cidade.

Este fato coincidiu com a chegada de Jezebel e seu marido, conhecido como Acabe, acompanhados de mais três homens que diziam fazer parte da equipe. Conhecemo-nos em um quiosque à beira do Rio Xingu. Muito simpática e bonita, disse que sonhava ser atriz e modelo, e me lembro até hoje das palavras de Jezebel “Você está com sorte, menina. Tenho uma agência de modelo no Rio de Janeiro, estávamos procurando uma menina como você”.

Jezebel era muito falante e extrovertida, o que realçava ainda mais a sua beleza, ao contrário de seu marido, que parecia ser sempre introspectivo e submisso a ela; não estranhei, pois meu tio também era assim com minha tia, ela falava pelos cotovelos e ele só obedecia.

Pensei que tivesse tirado a sorte grande. Fiquei sonhando com uma carreira promissora no Rio de Janeiro, com dinheiro e muito sucesso. Dois dias depois, estava saindo com aquele grupo em um voo para Belém, sem me despedir de ninguém. Ficamos uns três dias em hotel em Belém. Jezebel me acompanhou no shopping e comprou roupas novas para mim.

Ao descer no aeroporto no Rio de Janeiro, acreditava que minha vida mudaria para melhor. Doce ilusão. Assim que desci do carro, em frente àquele prédio caindo aos pedaços, percebi que algo estava errado e, certamente, caíra em um golpe, o que me certifiquei, quando entrei na boate e me aprisionaram naquele quarto junto com as outras. Logo percebi o que teria que fazer.

As outras meninas e as trans me certificaram do que estava acontecendo e onde eu parado. Nossas histórias eram muito parecidas. Na mesma noite a boate funcionou e tive que atender clientes. Vi coisas horríveis naquele local, inclusive uma menina que tentou fugir foi morta na frente de todas nós. Nunca me esquecerei daquela cena.

Por favor, vamos parar um pouco do depoimento. Preciso me recompor.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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