JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 44 – Continuação do depoimento de Graciene, vulgo Brenda

APOIE O TRABALHO DO AUTOR COM A QUANTIA QUE DESEJAR

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Durante a pausa no depoimento, tive ainda mais convicção em relação à minha teoria de que Jezebel se considerava a própria rainha do Antigo Testamento, já que na boate havia uma estátua do deus pagão Baal e pelo fato de seu companheiro ou comparsa ter o codinome de Acabe.

É válido destacar que, embora fossem realizados em locais oficiais, os depoimentos recolhidos pela equipe do Departamento eram muito diferentes das formalidades das delegacias comuns, que não posso entrar em detalhes aqui. Após uma pausa de cerca de meia hora, Graciene retomou seu depoimento:

– Acho que já estou recomposta e posso voltar a falar. Cada menina adotava um codinome, que Jezebel intitulava de “nome artístico”, o meu era Brenda. Os trabalhos na Boate Soturno eram duros. Éramos exploradas e vigiadas o tempo inteiro. Tudo lá era cobrado de nós e ficávamos cada vez mais endividadas. Cobravam a comida, a roupa e a maquiagem que usávamos. Colocavam na nossa conta até a estadia naquele quarto imundo onde éramos confinadas.

Os clientes eram quase sempre os mesmos, homens pervertidos, alguns em busca de meninas, outros de travestis, que gostavam de assistir aos shows de strip-tease ou de sexo explícito, feitos no palco por uma de nós com um artista convidado, da confiança de Jezebel. Havia artistas especializados em fazer sexo com uma de nós no palco, quando éramos sorteadas e outros com as travestis, quando poderiam fazer o papel de ativo ou passivo.

Entretanto, a maior atração era quando a própria Jezebel fazia sexo com esses artistas convidados. Os frequentadores iam ao delírio, enquanto Acabe, entre um drink e outro, observava tudo passivamente em sua mesa. Parecia sempre completamente desconectado.

Também éramos obrigadas a participar do culto a Baal. Na cerimônia, alguns convidados participavam de orgias conosco. Jezebel e Acabe participavam e trocavam de parceiros, inclusive, Acabe chegou a me possuir. Sempre uma de nós era sorteada para sofrer pequeno cortes e oferecer o sangue ao deus Baal. Não era nada grave, nenhum corte profundo, mas sempre doloroso.

Na verdade, nunca cheguei a ver, mas corria um boato que Jezebel e um grupo seleto, em culto a Baal, faziam sacrifícios humanos, principalmente de recém-nascidos, que compravam de moradoras de rua. Tais cerimônias seletas não aconteciam frequentemente. Talvez uma vez por mês, não sei dizer muito bem, porque ali perdíamos a noção do tempo.

Ficávamos também endividadas devido à droga que nos davam, a que nos fazia delirar. Era algo altamente viciante. Podemos parar um pouco?

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

Acessem meu blog: http://jemagalhaes.blogspot.com                 

Adquiram meu livro UMA JANELA PARA EUCLIDES

editorapatua.com.br/uma-janela-para-euclides-dramaturgia-de-jorge-eduardo-magalhaes/p

WhatsApp